STTU planeja intervenções na Hermes e Cidade Nova

O ano de 2022 promete ser movimentado quanto ao desenvolvimento de obras de mobilidade urbana na cidade do Natal, tendo investimento inicial estimado em R$ 48 milhões. De acordo com a STTU, vários projetos serão entregues para avaliação e financiamento do Governo Federal em breve, com o intuito de melhorar as condições viárias para toda a população, sejam  motoristas, ciclistas ou pedestres.  Um deles envolve a construção de uma trincheira viária conectando as avenidas Alexandrino de Alencar e Hermes da Fonseca, inicialmente orçada em  R$25 milhões com recursos oriundos do Governo Federal.

Na abertura anual do ano legislativo na Câmara Municipal, o prefeito Álvaro Dias comentou sobre os esforços da gestão para pôr em prática um rol de projetos e obras aprovados de grande relevância para a capital. Com o o conceito de ‘Cidade Para Pessoas’, a Prefeitura busca solucionar problemas relacionados ao trânsito nas principais vias de Natal, além de  assegurar interações mais seguras entre vias férreas e viárias, assim como maior acessibilidade nas intervenções promovidas. A ampliação da rede de ciclovias e ciclofaixas, entendendo a bicicleta como um verdadeiro modal de transporte, também é um compromisso.

Em entrevista, o secretário adjunto de trânsito, Walter Pedro, apresentou os principais projetos para o ano de 2022. Sobre a trincheira viária entre a Alexandrino de Alencar e Hermes da Fonseca, o arquiteto informou que o projeto executivo deve ser recebido ainda no mês de fevereiro. Com isso, o orçamento será precisado de forma mais assertiva. O projeto, então, irá passar por uma avaliação pela equipe técnica do Governo Federal, para depois partir de forma definitiva para a licitação da obra.

“Aquele cruzamento da Hermes da Fonseca e da Alexandrino de Alencar é um pouco complicado porque envolve dois segmentos de avenidas e o limite da transição do sistema semafórico.  Para garantir o sincronismo, temos ali quase 45 segundos de sinal verde aberto para a Alexandrino, e mesmo assim, vemos uma dificuldade imensa em todo o segmento com retenção naquele ponto. Planejamos rebaixar o cruzamento sentido Alexandrino com a trincheira, implementando botoeiras pedestres para garantir a travessia segura”, explica o secretário.

Outro projeto de impacto na capital será o Pontilhão de Cidade Nova, proposta defendida pela STTU desde 2001. A estrutura vai garantir mais segurança na região, passando sobre a linha férrea, e também conta com apoio federal para realização da obra. O projeto executivo da obra está sendo iniciado e deve custar R$ 600 mil ao Ministério de Desenvolvimento Regional. O orçamento previsto é de R$ 15 milhões.

“No local, temos uma travessia de veículos, transporte público e também via ferroviária, onde carros fazem uma curva de quase 180 graus com baixíssima velocidade. A visibilidade do trem que passa ali diariamente também é muito baixa, então tem um risco imenso na região. Vamos eliminar essa preocupação acabando com esse cruzamento. Os veículos vão passar sobre a linha férrea, possibilitando mais conforto e velocidade. Também iremos incluir uma passarela no Pontilhão para travessia segura de pedestres”, diz.

Ciclofaixas

Segundo o secretário adjunto Walter Pedro, a Prefeitura do Natal se comprometeu a  ampliar o sistema cicloviário  de 87km para 200km nos próximos anos. A começar pela obra da Rede de Ciclovias e Ciclofaixas da Zona Norte que irá abranger seis avenidas na região: Cirandas, Florianópolis, Guararapes, Itapetinga, Pico do Cabugi e Senhor do Bonfim. A rede será concentrada nos canteiros centrais das avenidas, tendo 14,7km de estrutura cicloviária com via dupla. Orçada em R$ 8 milhões , os recursos serão municipais via STTU.

A Secretaria confirmou que o processo licitatório para essa intervenção está em fase final, aguardando o vencedor da licitação. A expectativa  para execução  é breve, sendo maio um mês apontado como potencial início de obras. “Nossa  ideia é integrar toda a cidade com uma estrutura cicloviária para possibilitar o uso da bicicleta em vários locais da cidade, seja casa-trabalho, casa-escola, e assim sucessivamente. Enxergamos esse equipamento como mais um modal de trânsito, mais uma forma de deslocamento diário na cidade, não só uma atividade de lazer”, afirma o arquiteto.

Nesse sentido, os planos vão além. A STTU realizou visitas a diversas cidades para estudar os respectivos  sistemas cicloviários e planeja uma integração desse modal com o sistema de transporte público. O projeto que ainda está sendo concebido pensa em integrar bicicletas mantidas pelo Município junto aos terminais de ônibus para uso da população através do cartão de transporte.

O secretário exemplifica que alguém que desça no terminal de ônibus, e mora a uns 700, 800 metros do local, poderia liberar uma bicicleta com o cartão de transporte, onde consta todos os seus dados cadastrados. A devolução deveria ser feita no dia seguinte ao voltar no local para pegar um ônibus novamente. No entanto, a STTU foca primeiro no desenvolvimento da estrutura física das ciclovias e ciclofaixas para depois promover mudanças integralizantes de forma operacional.

Obras da Felizardo Moura serão iniciadas este ano

As intervenções previstas para a Av. Felizardo Moura envolvem a adequação do traçado geométrico, visando ao alargamento da via, bem como sua drenagem e pavimentação, além da adequação do Viaduto da Urbana com a construção de uma trincheira. Com a obra, as galerias de drenagem serão lançadas desde o Viaduto da Urbana até a Ponte de Igapó, eliminando pontos críticos de alagamento nesse trecho da via.

Os recursos são provenientes do Governo Federal através de financiamento. Segundo a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Semov), a  previsão para início de obras se encaixa no primeiro semestre de 2022. O custo  da readequação está estimado em R$20 milhões mas podem ocorrer mudanças no orçamento.

Quanto as obras de acessibilidade, a STTU confirma que todas as readequações promovidas precisam adequar os projetos aos critérios necessários de acessibilidade, sendo inclusive um procedimento judicializado. “A proposta para Natal é que 100% da cidade seja acessível, mas temos que começar por algum lugar. Começamos pelas novas edificações e a outra etapa é exatamente concentrar nos locais de maiores fluxos de pedestres. Por exemplo, estamos planejando uma reestruturação na Bernardo Vieira, com melhorias nos passeios, no sistema de transporte, viabilizando a possibilidade de uma ciclofaixa ou ciclovia compartilhada”, disse Walter Pedro

Tribuna do Norte