Petiscos intoxicados podem ser responsáveis por mortes de cães

Ao menos nove cachorros morreram em  São Paulo e em Minas Gerais até essa sexta-feira (2) por suspeita de intoxicação após o consumo de três marcas de petiscos (de uma mesma fabricante) para animais. A TRIBUNA DO NORTE ouviu três estabelecimentos de Natal, que informaram não atuar com os produtos Dental Care, Every Day e Petz Snack Cuidado Oral, produzidos pela Bassar Pet Food. O Grupo Petz, que possui três lojas na capital potiguar, informou que comercializa os petiscos, mas afirmou já ter  retirado os produtos de todos os pontos de venda.

Os estabelecimentos ouvidos pela reportagem foram a Império Rações, Vladson Clin e Amigo Bicho. Os três afirmaram que não comercializam nenhum dos petiscos alvo de suspeita de contaminação. Segundo a Polícia Civil de Minas, foi identificada a presença de monoetilenoglicol em um dos produtos para cachorros entregues à delegacia por tutores de animais. Os relatos dão conta, no entanto, que as mortes ocorreram após a ingestão dos três petiscos.

O monoetilenoglicol foi uma das substâncias identificadas na contaminação das cervejas da Backer, em 2020. Dez pessoas morreram por suspeita de contaminação à época. Em nota enviada à TRIBUNA DO NORTE, o Grupo Petz afirmou que, “imediatamente, quando do fato noticiado, envolvendo os produtos fabricados e distribuídos pela marca Bassar acerca de casos de intoxicação, retirou voluntariamente os produtos dos pontos de vendas da rede”.

O Grupo disse ainda que  notificou a empresa para ciência e providências, bem como colocou-se prontamente à disposição para colaborar com apuração dos fatos.

“Procurada pelas autoridades, o Grupo Petz reitera estar acompanhando e colaborando com as apurações dos órgãos competentes e aguardando os esclarecimentos do fabricante, que por sua vez aguarda análises técnicas de órgãos reguladores para o tipo de produto”, destacou em nota.

Em nota oficial, a Bassar Pet Food informou que “decidiu interromper a produção de sua fábrica até que sejam totalmente esclarecidas as suspeitas de contaminação de pets envolvendo lotes de seus produtos”. “A empresa também está contratando uma empresa especializada para fazer uma inspeção detalhada de todos os processos de produção e do maquinário. “Assim que soubemos da situação, por precaução, iniciamos a retirada do mercado dos lotes 3554 e 3775 do produto Bone Everyday”, informou.

“Queremos reforçar que nunca utilizamos a substância etilenoglicol, apontada como possível intoxicante, na fabricação de nenhum de nossos produtos. Utilizamos apenas o propilenoglicol, um aditivo alimentar presente em alimentos para humanos e animais em todo o mundo”, esclareceu a empresa.

“Reforçamos que o propilenoglicol utilizado pela Bassar em seus produtos é adquirido de fornecedores qualificados, os quais não fornecem para inúmeras indústrias no ramo alimentar ”, complementou em seguida.

O que fazer 

Em caso de suspeita de intoxicação com o cãozinho, a orientação principal é procurar atendimento rapidamente. Antes disso, é importante ficar atento a sintomas que possam indicar algum problema, conforme explica a veterinária Líria Basílio, do Hospital Amigo Bicho. “Os tutores devem ficar atento a sinais clínicos como vômito, diarreia, prostração e, em alguns casos, salivação. Esses sintomas podem vir em conjunto ou não”, informa.

Detectada qualquer alteração, um especialista deve ser procurado para que sejam evitados danos ao animal. “Tudo depende da forma que cada organismo irá responder à intoxicação, mas o ideal é tentar estabilizar o cão o mais rápido possível, de preferência com fluidoterapia ou antitóxicos. Na verdade, tudo deve ser corrigido de acordo com os sintomas”, ensina o veterinário Luan Cordeiro, da Vladson Clin.

Outra dica é a prevenção, conforme explica Líria Basílio. “Nesse caso, o tutor deve ficar atento à rotulagem dos petiscos. Quando mais rico de informações ele for, melhor. E se houve alguma dúvida em relação a uma determinada marca ou composto, procure um veterinário. É super importante estar atento à composição do produto”, indica a veterinária.

 

Do Tribuna do Norte