Número de mortos devido à chegada de migrantes a Ceuta sobe para 72

People waddle through water to enter Spain, and in the background people who just entered Spain return back to Morocco, amid mass crossings of migrants on foot and by sea from Morocco into Spanish territory, in Ceuta, Spain, July 31, 2026. REUTERS/Jon Nazca  REFILE - CHANGES SLUG
© REUTERS/Jon Nazca/ Proibido reprodução

O número de mortos na debandada de quinta-feira (30) para Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindos de Marrocos, chegou a pelo menos 72 neste domingo (2). Foram encontrados mais cinco corpos ao longo da costa de Ceuta, disseram as autoridades.

Mais de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar num fluxo sem precedentes que começou na quinta-feira em uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia (UE) com África, causando alarme em todo o bloco. Mais de 48 mil pessoas voltaram ao Marrocos em 48 horas e outras tantas durante o fim de semana, disseram as autoridades espanholas.

O representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas no domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde desde quinta-feira. A situação na cidade melhorou consideravelmente, afirmou, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.

Alguns migrantes se afogaram e outros foram esmagados ao tentar escalar um quebra-mar e a cerca da fronteira. Muitos foram forçados a migrar por dificuldades econômicas e incentivados por boatos nas redes sociais.

“Dói-me profundamente que jovens estejam morrendo no mar. Não é justo que, em 2026, mulheres com crianças de apenas 2 meses de idade estejam atravessando o mar apenas para morrer”, disse Karima Abenaz, uma cidadã francesa em Ceuta com família no Marrocos, contendo as lágrimas.

“Em Marrocos, há comida, há tudo o que precisamos”, acrescentou. “Se não tivermos um emprego decente, devemos entrar em greve e exigir nossos direitos do governo. Não deveríamos estar morrendo no mar, isso não está certo.”

O líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, disse ao jornal El País que o necrotério da cidade recebeu 88 cadáveres, incluindo alguns de pessoas que morreram em tentativas anteriores, menores, de chegar ao território em perigosas travessias noturnas a nado nas últimas duas semanas. Ele afirmou que as autoridades marroquinas também estavam recuperando corpos do mar, mas nenhuma informação oficial estava disponível.

As autoridades reforçaram o patrulhamento policial e militar e, no sábado, instalaram uma barreira flutuante de 500 metros ao largo de Ceuta.

Vinte e dois Estados-Membros da UE escreveram uma carta solicitando uma ação coordenada para proteger as fronteiras externas e outras medidas após o incidente de Ceuta. A Itália suspendeu por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do Espaço Schengen.

A Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes do que a maioria dos outros países da UE, introduzindo um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

O governo rejeitou as sugestões de que o programa incentivou a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que aqueles que ingressaram de forma irregular não podiam viajar para a Espanha continental ou para qualquer outro lugar na zona Schengen.

É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

© 2024 Blog do Marcos Dantas. Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.