Médico seridoense alerta: “cuidar de si mesmo não é só um direito, é um papel e uma obrigação cidadã” 

Muita gente tem questionado se não está havendo excessos em relação as publicações do Corona vírus (Covid 19), e tem algumas pessoas que até duvidam da existência ou da letalidade que o mesmo pode proporcionar.

Eu não tiro a razão de ninguém, nossas crenças são baseadas naquilo que vivemos ou que aprendemos através do que foi vivido por alguém em alguma fase da vida. Difícil em um país tão grande se esperar a unanimidade ou uma forma aproximada de entendimento de todas as correntes, sejam elas religiosas, ideológicas, políticas, enfim, culturais, visualizarem de uma forma igual ou mesmo de uma forma parecida o Horizonte que está por vir.

Neste país, nós Profissionais de Saúde, nos deparamos com situações desta natureza em menor escala e com menor gravidade, porém o fato do povo brasileiro estar tão acostumado a viver e conviver com doenças que poderiam ser facilmente evitadas, vivendo de campanhas sejam elas de prevenção, sejam elas de natureza “catastrófica”, nos remete a uma situação de profunda reflexão sobre o que representa o nosso papel. 

Porque ainda ocorrem questionamentos e afrontas em cima das orientações para se combater uma situação que as últimas gerações nunca haviam presenciado? Porque algumas pessoas não entendem o como e o porquê do isolamento social?

Basta ver o porquê a dengue tomou todo o país, porque a diabetes causa tantas mortes e mutilações, porque temos tantos renais crônicos fazendo hemodiálise, porque temos tantos acidentes de trânsito, por que tantos infartados, tantos obesos e tantas agressões a mulheres e crianças, enfim, nós conhecemos nossos problemas e apresentamos as soluções. 

Mas como avançar com uma sociedade consciente se não investimos no elemento principal desta cadeia complexa que se chama Brasil, o BRASILEIRO.  Usurpado de seus direito à saúde, em seus direitos à educação, a maioria do povo brasileiro não cria a consciência de que cuidar de si mesmo não é só um direito, é um papel e uma obrigação cidadã. 

Manter uma sociedade sadia e consciente das formas de cuidar de sua própria saúde, poderia melhorar de maneira satisfatória as condições para combatermos esses agravos que vão mutilar nossa história, nossa convivência familiar e nosso cotidiano. Espalhar a curva de crescimento de infectados e de óbitos, é o maior objetivo do isolamento social.

E no país que nós profissionais sonhamos, não precisaria haver ação policial, nem muito menos apelo para se usar “fundo partidário” para cuidarmos da saúde do nosso povo. Deus será sempre a nossa referência, mas está na hora de mudarmos de verdade esta nação tão sofrida, deixando as tolices de lado e realmente investindo em educação para através de cidadãos plenos construirmos um futuro melhor para todos.. Pois, está na hora.

Sérgio Eduardo Medeiros, médico no Seridó norteriograndense