Maioria dos trabalhadores do Nordeste planeja usar FGTS para comprar casa própria, aponta pesquisa

Grande parte dos trabalhadores da região Nordeste tem a percepção de que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser utilizado para comprar a casa própria (43%), montar um negócio (38%) e cuidar da saúde (22%), dentre outros planos e metas. Mas os dados sobre a região Nordeste  apontam ainda que 59% dos trabalhadores não sabem qual é o valor do saldo do próprio FGTS, índice bem acima acima do nacional, que é de 38%. Os dados são de uma pesquisa inédita no Brasil sobre o FGTS, realizada pela Serasa e o banco PAN, em parceria com o Instituto Opinion Box. Os resultados indicam também que a região concentra a menor taxa de compreensão dos trabalhadores em relação ao assunto, no País.

3SAIBAMAIS#As informações constam na pesquisa “A Relação do Brasileiro com o FGTS”, divulgadas nessa terça-feira (7). De acordo com os dados, 89% dos trabalhadores que moram no Nordeste afirmam saber o que é o recurso e tem conhecimento do significado da sigla “Fundo de Garantia do Tempo de Serviço”. É o menor percentual do País (nesse quesito, o Sul registra índice de 95%, o Sudeste, de 93%; o Centro-Oeste, de 92%; e o Norte  de 90%). No geral, o Brasil tem índice de 92%, três pontos percentuais a mais que o Nordeste.

Entre aqueles que têm conhecimento sobre o tema, 67% afirmam conhecer as formas de sacar ou retirar o Fundo de Garantia. O índice do Nordeste, nesse caso, é igual ao do País. Sobre as formas de saque, as mais conhecidas na região são por demissão que ocorre sem justa causa (72%), para comprar a casa própria (65%) e no mês do aniversário (62%).

Entre as menos conhecidas, estão o saque para fazer empréstimos (40%), depois que completa 70 anos ou mais (43%) e com a aposentadoria (52%). Nesse tópico, o Nordeste também segue o cenário nacional. Outro dado da pesquisa indica que 54% declaram ter até R$2,5 mil de saldo.

Como acessar o FGTS

No cenário nacional, a pesquisa aponta que 92% dos trabalhadores afirmaram saber o que é FGTS, mas os números sobre os desdobramentos em torno do assunto, indicam que esse conhecimento ainda é superficial. De acordo com o estudo, por exemplo, 4 em cada 10 trabalhadores (38%) não sabem o quanto têm de saldo de FGTS. No entanto, 8 em cada 10  (84%) sabem que é possível consultar o saldo (6 em cada 10, ou 62%, sabem o valor do saldo atual).

Entre quem sabe, 40% afirmam ter até R$ 1 mil e 11%, tem entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil. De modo geral, 16% não sabiam da possibilidade de consultar o saldo do FGTS e 22%, apesar de saberem, não têm ideia do valor atual. A pesquisa detalhou também o conhecimento dos brasileiros sobre as formas de saque ou retirada do Fundo de Garantia. O distanciamento em relação ao tema, nesse aspecto, foi ainda maior: 33% afirmaram não saber como ter acesso ao saldo.

Dos trabalhadores que têm direito ao saque, 83% já o fizeram, indicando que, grande parte daquilo que é conhecido sobre o tema, tem como base as próprias experiências. O estudo testou, ainda, o conhecimento dos brasileiros sobre as situações em que é possível sacar o FGTS.  A pesquisa colocou para os entrevistados oito modalidades e perguntou se eles estavam cientes de que é permitido fazer o saque mediante cada uma delas.

Os trabalhadores poderiam responder “é possível fazer o saque”; “não é possível fazer o saque”; “não sabia que era possível” ou “não tenho certeza”. A situação que mais recebeu a opção “é possível fazer o saque” (75%) foi “quando a demissão

ocorre sem justa causa”. Em seguida, veio a situação “na compra da casa própria”, com resposta afirmativa sobre o saque, de 71% dos entrevistados. Os que responderam que é possível fazer o saque no mês de aniversário do trabalhador foram 61%.

“Essas três modalidades são as mais conhecidas e têm em comum o fato de que os trabalhadores costumam vivenciá-las de alguma maneira ou que elas são altamente comunicadas pela imprensa, pelos bancos e instituições financeiras. Ou seja, como se fala muito nesse assunto, as pessoas sabem que é possível realizar o saque dessas maneiras”, explica Felipe Schepers, CEO da Opinion Box. Por outro lado, há duas formas onde o brasileiro têm pouco conhecimento: após os 70 anos (somente 42% conhecem essa possibilidade de saque) e; para fazer empréstimo (36% conhecem, apenas).

FGTS pode ajudar a quitar dívidas

Dentro da amostra de entrevistados, 36% possuem alguma conta em atraso. Destes, 34% têm dívidas de até R$ 1 mil e 25%, entre R$ 1 mil e R$ 2,5 mil. Felipe Schapers, da Opinion Box chama a atenção, portanto, para o fato de que o Fundo de Garantia poderia sanar algumas dessas despesas. “Possivelmente, esse saldo do FGTS do trabalhador poderia eliminar uma dívida”, avalia Schepers.

Já o diretor de Marketing da Serasa, Matheus  Moura, destaca que, em março último, o País contabilizava  65,69 milhões de inadimplentes, o maior patamar desde abril de 2020. Ele analisa que, nesse contexto, o Fundo de Garantia tem papel significativo para os brasileiros.

“O FGTS é um recurso que pertence aos brasileiros com um papel muito importante neste ano, especialmente com o saque emergencial. A pergunta que se faz é : depois que acabar [o saque emergencial], como o brasileiro pode usar o FGTS? Existem diversas formas de utilizá-lo e essa pesquisa é interessante para trazer luz ao tema. Com ela, conseguimos dados muito interessantes, alguns que a gente já esperava, inclusive”, destaca Matheus Moura.

A pesquisa mostra, também, que 39% entendem que o FGTS é um porto seguro e que, portanto, estará protegido no futuro, enquanto 33% não concordam nem discordam sobre a questão e 28% discordam. Outro recorte a ser destacado na pesquisa é em relação ao uso do Fundo de Garantia.

Na percepção dos trabalhadores, o saldo garantido pelo direito poderia ser utilizado para alcançar alguns planos e metas, tais como comprar a casa própria (45%), montar um negócio (33%), cuidar da saúde (20%), pagar dívidas (17%) e viajar para fora do País (17%).

Além disso, 14% acreditam que o FGTS poderia ser usado para comprar um carro, 11% utilizariam para trocar de carro, 10% gostariam de limpar o nome e 10% disseram que o valor poderia ser utilizado para morar fora do Brasil. Os que acham que o saldo poderia ser investido para mudar de profissão, são 8%; fazer uma pós-graduação (8%), começar uma faculdade (6%); terminar uma faculdade (6%); casar (5%) e; ter filho (4%).

 

Do Tribuna do Norte