Islândia rejeita negociações de adesão à UE em referendo acirrado

Apoiadores da “Ilha de Afram”, uma das campanhas que se opõem à retomada das negociações de adesão à UE, se reúnem enquanto aguardam os resultados do referendo sobre se a Islândia deve retomar as negociações de adesão com a União Europeia, em Reykjavik
30 de agosto de 2026
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© Reuters/Leonhard Foeger/Proibida reprodução

Os islandeses votaram neste domingo (30) por permanecer fora da União Europeia. Em referendo, a maioria dos votantes rejeitou a iniciativa do governo de retomar as negociações de adesão e alinhou-se aos que argumentavam que as águas pesqueiras da Islândia eram importantes demais para serem colocadas em risco.

A ilha ártica de 400 mil habitantes vem debatendo a adesão à UE há bem mais de uma década e, inicialmente, esperava-se que apoiasse por uma margem estreita a realização de negociações de adesão, mas pesquisas de opinião realizadas neste mês mostraram que as opiniões haviam mudado.

A Política Comum de Pescas da UE obrigaria o país a dividir o controle de suas águas territoriais e cotas de pesca com outros Estados-membros. 

A primeira-ministra Kristrun Frostadottir afirmou em uma coletiva de imprensa que a Islândia se concentrará a partir de agora em fortalecer seus laços existentes com a União Europeia por meio do Acordo do Espaço Econômico Europeu, que o país compartilha com a Noruega e Liechtenstein.

“Uma grande lição para mim e também para o governo é que as pessoas estão satisfeitas com o Acordo do EEE”, disse ela.

“Uma grande lição para mim e também para o governo é que as pessoas estão satisfeitas com o Acordo do EEE”, disse ela.

Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que respeita a escolha do povo islandês e observou que a Islândia continua sendo um parceiro próximo da União Europeia.

Frostadottir agora planeja ligar para o primeiro-ministro da Noruega, informou a emissora pública RUV.

No referendo de sábado, 52,8% dos votos foram contra a proposta do governo de realizar negociações com Bruxelas, 47,2% foram a favor, e 82,5% dos eleitores qualificados participaram.

Das seis circunscrições eleitorais, apenas as duas na região central de Reykjavik tiveram maioria a favor, enquanto as áreas rurais e os subúrbios de Reykjavik votaram contra.

O governo havia apresentado a adesão como um escudo contra guerras comerciais e rivalidades no Ártico e caracterizou o referendo como um momento de “agora ou nunca”. Frostadottir afirmou que o “não” encerraria o debate enquanto sua coalizão de centro-esquerda estivesse no poder.

Em Bruxelas, algumas autoridades haviam manifestado a esperança de que um voto favorável à adesão da Islândia pudesse amenizar o ceticismo em relação ao alargamento da UE e fortalecer estrategicamente o bloco, num momento em que a segurança no Ártico está em foco.

“Este é um claro revés para Bruxelas”, disse um diplomata da UE à Reuters, acrescentando que as questões da pesca e da independência foram decisivas.

“Este é um claro revés para Bruxelas”, disse um diplomata da UE à Reuters, acrescentando que as questões da pesca e da independência foram decisivas.

A Islândia, um Estado-membro da Otan, mas sem Exército próprio, também debateu se a adesão à UE poderia reforçar a segurança do país, em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, colocou em dúvida o compromisso dos EUA com a aliança militar.

Trump também afirmou repetidamente que deseja adquirir a Groenlândia, outra ilha do Ártico.

Mas, para alguns islandeses, a pesca era uma questão mais importante do que a segurança.

O setor é um dos maiores da Islândia, representando 15% do Produto Interno Bruto em contribuições diretas e indiretas e cerca de 40% da receita de exportação.

O país insular solicitou pela primeira vez sua adesão à UE em 2009, quando uma crise financeira atingiu a pequena e vulnerável economia do país. O governo encerrou as negociações em 2013.

Antes do referendo de sábado, as finanças voltaram a ser uma questão central, já que a Islândia tem enfrentado alta inflação e altas taxas de juros.

No entanto, os altos salários ajudaram a compensar o impacto econômico para a grande maioria dos islandeses, disse à Reuters Vilborg Asa Gudjonsdottir, pesquisadora de relações internacionais da Universidade da Islândia.

“Acho que a principal razão para esses resultados é que não há urgência econômica para a Islândia aderir à União Europeia, e a população também não parece acreditar que haja urgência no que diz respeito à segurança e à defesa.”

“Acho que a principal razão para esses resultados é que não há urgência econômica para a Islândia aderir à União Europeia, e a população também não parece acreditar que haja urgência no que diz respeito à segurança e à defesa.”

Os defensores do voto “sim” haviam afirmado que a adesão à UE, e possivelmente a adoção do euro, poderia trazer alívio. A taxa de juros do banco central da Islândia é de 8%, em comparação com 2,25% do Banco Central Europeu.

A líder da oposição, Gudrun Hafsteinsdottir, que liderou a campanha pelo “não”, disse que os argumentos econômicos são exagerados. “Esses não são problemas que Bruxelas resolverá para nós. São problemas que os políticos islandeses precisam resolver”, afirmou ela.

Fonte: Agência Brasil

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