Faturamento do varejo virtual na Black Friday cai 28% ante 2021

Levantamento da Neotrust aponta que, na última sexta-feira (25), o varejo virtual registrou uma queda de 28% no seu faturamento em comparação ao mesmo período de 2021, quando o setor já havia caído 1%. Com pouco mais de R$ 3,1 bilhões em vendas, este é o pior resultado para a data de promoções no País desde que foi importada dos Estados Unidos e implementada no calendário do varejo nacional. Já  segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) as vendas no Varejo cresceram 6,9% na Black Friday ante a mesma data no ano passado. O e-commerce registrou alta de 21,1% enquanto o faturamento no universo físico subiu 5,4%.

Além do faturamento global, outros aspectos colaboraram para a queda nos números da Black Friday este ano. Segundo o levantamento da Neotrust, em comparação ao ano anterior, o e-commerce no País também registrou queda no valor do ticket médio de compras (-5,9%), no preço médio (-17%), no número de pedidos (-23%) e na quantidade de produtos vendidos (-13,5%).

O estudo ainda apontou uma mudança no perfil de compras do consumidor este ano. Um dos itens mais desejados pelos consumidores que aguardam pelos descontos da Black Friday, os aparelhos celulares perderam 4,6% de participação no faturamento do e-commerce, enquanto itens de alimentação e bebidas subiram no ranking e chegaram ao quarto lugar em quantidade de pedidos nesta Black Friday.

Com o desempenho fora do esperado para a principal data, o rescaldo das promoções no sábado também não engataram no País. Isso porque as vendas no primeiro dia do final de semana registraram uma queda de 4,3% em comparação a 2021.

Mesmo assim, na avaliação de Paulina Dias, gerente de inteligência da Neotrust, o pós-Black Friday garantiu o posto de melhor dia de vendas, em termos de variação de faturamento sobre o ano anterior. “Percebemos a recuperação de algumas categorias que não foram bem na sexta-feira, como telefonia, automotivo e eletroportáteis, e crescimento em categorias que já estavam bem, como beleza e perfumaria, games e alimentos e bebidas,” afirma.

Para a executiva, um dos destaques de faturamento no sábado, dentro do universo de Alimentos e Bebidas, foi o crescimento nas vendas para carnes, aves e pescados. Esses itens entraram na lista de desejos dos brasileiros este ano após uma forte alta de preços nos últimos 12 meses.

Um levantamento da consultoria Shopper Experience, feita a pedido da Associação Paulista de Supermercados (Apas), projetou a cesta de itens de alimentação como um dos principais desejos dos consumidores para o período de promoções da Black Friday.

Na avaliação do Superintendente de Dados e Inovação da Cielo, Vitor Levi, a Black Friday tem se fortalecido de 2020 para cá principalmente por causa do canal e-commerce, cada vez mais inserido na rotina dos consumidores. “Mesmo com essa performance, o faturamento da Black Friday deste ano ainda está 2,8% abaixo do verificado em 2019, ano anterior à pandemia”, afirma em nota. Ainda segundo Levi, a queda no setor de Móveis, Eletro e Depto, que costuma ser um dos destaques positivos da Black Friday, pode estar associada à antecipação de promoções ao longo do mês de novembro. Isso provavelmente inclui televisores adquiridos para a Copa do Mundo, cujo início ocorreu no dia 20 de novembro; antes, portanto, da Black Friday.

Pelos dados da Cielo, o segmento que mais se destacou foi Drogarias e Farmácias, com crescimento de 25,9% nas vendas, seguido de Turismo e Transporte (+25,1%), Cosméticos e Higiene Pessoal (+22,2%), Alimentação – Bares e Restaurantes (+18,6), Vestuário (+11,8%), Supermercados e Hipermercados (11,7%), Varejo Alimentício Especializado (+10,3%), Lirvarias, Papelarias e Afins (9,4%), Veterinárias e Pet-Shops (+6,7), Óticas e Joalherias (+4,6%) e Materiais para construção (4,3%). Dos segmentos mais significativos para o Varejo, o único que experimentou queda no faturamento (-3,6%) foi Móveis, Eletro e Depto. A região Sul do País, no tocante às vendas presenciais, experimentou a maior evolução nas vendas: 14,2%. No Centro-Oeste o faturamento do Varejo cresceu 3,5%. No Nordeste, as vendas subiram 0,2%. A região Norte foi a única em que o faturamento caiu. As vendas encolheram 2,9%.