EUA atacam Irã, que revida contra bases estadunidenses

Captura de tela de vídeo mostra lançamento de míssil
1º de setembro de 2026  Comando Central dos EUA/Divulgação via REUTERS
© Reuters/U.S. Central Command/Proibida reprodução

O Irã e seus vizinhos árabes voltaram a mergulhar na guerra nesta quarta-feira (2) em meio ao maior confronto armado entre Teerã e Washington desde julho, com as forças norte-americanas atacando a costa sul do Irã e o Irã disparando contra bases estadunidenses em toda a região.

Os Estados Unidos ameaçaram com ataques ainda mais devastadores. O Irã acusou Washington de atingir uma festa de casamento, matando cinco pessoas e ferindo dezenas.

As bolsas asiáticas e europeias caíram após os novos ataques aéreos dos EUA, que empurraram os preços do petróleo de volta a níveis não vistos desde julho, agravando o impacto econômico de uma onda global de vendas de títulos, já que o abalo no abastecimento de energia alimenta a inflação em todo o mundo.

Na terça-feira (1°), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou ter atacado as defesas aéreas da Guarda Revolucionária Islâmica, sistemas de radar, recursos marítimos, recursos de colocação de minas e instalações de comunicação.

A mídia iraniana noticiou ataques a vários alvos próximos ao Estreito de Ormuz — a estreita via navegável onde Teerã tem ameaçado petroleiros que tentam passar sem sua permissão.

O Irã respondeu atacando o que afirmou serem alvos dos EUA no Barein, Jordânia, Kuwait e Iraque, e declarou que seu objetivo agora é expulsar as forças estadunidenses da vasta rede de bases militares que elas mantêm há décadas em todo o Oriente Médio.

“A maldade norte-americana na região será recebida com respostas mais pesadas, mais generalizadas e devastadoras, e qualquer país que cooperar com o agressivo exército dos EUA deve aceitar as consequências perigosas”, afirmou o comando militar do Irã.

As Forças Armadas da Jordânia informaram ter enfrentado 13 mísseis, dos quais 10 foram interceptados e três caíram em áreas remotas. A Guarda Revolucionária disse ter matado um grande número de militares estadunidenses na Jordânia, mas autoridades dos EUA disseram à Reuters que não houve vítimas, de acordo com avaliações iniciais.

No Kuwait, o Irã afirmou ter realizado um ataque com mísseis e drones contra a vasta Base Aérea Ali Al Salem dos EUA e ter tido como alvo a residência de um comandante dos EUA.

O corpo de bombeiros do Kuwait informou que as equipes extinguiram, na madrugada desta quarta-feira, um incêndio em um complexo residencial atingido por um drone iraniano, o que causou danos, mas não resultou em vítimas.

O Catar, que abriga a maior base aérea dos EUA no Golfo, afirmou que “considera a República Islâmica do Irã totalmente responsável, do ponto de vista legal, por esses ataques e suas repercussões e consequências”.

O Barein, que abriga o quartel-general regional da Marinha dos EUA, declarou que drones iranianos foram interceptados e destruídos.

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que suas forças terrestres realizaram ataques combinados com mísseis e drones contra bases estadunidenses em Erbil, no norte do Iraque, alegando ter matado vários militares norte-americanos no local. Nem o Iraque nem os EUA confirmaram o ataque.

O Irã também disse que dois petroleiros foram atingidos por minas enquanto eram conduzidos pelo Estreito de Ormuz por agentes dos EUA por um canal que Teerã diz ter fechado.

O Irã registrou pelo menos 12 mortes na noite dos ataques dos EUA, com cinco pessoas — incluindo uma criança de quatro anos — que teriam sido mortas enquanto comemoravam um casamento em uma casa em Sirik, uma cidade na costa do Estreito de Ormuz.

A mídia iraniana informou que até 68 pessoas ficaram feridas no local e divulgou imagens de várias crianças feridas no hospital. Autoridades iranianas compararam o incidente a um ataque a uma escola para meninas que matou 160 pessoas na primeira noite da guerra.

A Reuters não conseguiu verificar o incidente de forma independente, e autoridades norte-americanas não se pronunciaram sobre o assunto.

Um vídeo filmado pela Agência de Notícias da Ásia Ocidental do Irã no suposto local mostrava escombros espalhados pelos cômodos e pelo pátio de uma residência. Um par de sandálias femininas de tiras estava abandonado sobre um tapete encharcado de sangue.

“Só fico feliz que o número de vítimas não tenha sido ainda maior”, disse Ali Molahi, identificado como o pai da noiva.

A troca de disparos foi a mais grave desde julho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu abruptamente duas semanas de intensos bombardeios contra o Irã após alertas de seus altos comandantes militares de que estavam esgotando munições e ficando sem alvos significativos.

*Reportagem adicional de Parisa Hafezi e Jana Choukeir em Dubai, Idrees Ali e Daphne Psaledakis em Washington, e Yasmine Ghania e Muhammad Al Gebaly no Cairo

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Fonte: Agência Brasil

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