Nepal apela por “esforço global” para combater alterações climáticas

Nepal's Foreign Minister Shisir Khanal speaks in front of portraits of Nepal's President Ramchandra Paudel and Prime Minister Balendra Shah, during an interview with Reuters at the Embassy of Nepal in Beijing, China, June 16, 2026. REUTERS/Tingshu Wang
© Reuters/Tingshu Wang/Arquivo/Proibida reprodução

O ministro nepalês dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, apelou neste sábado (29) a um “esforço global” para combater as alterações climáticas, assinalando que o país é uma das maiores vítimas do aquecimento global, mas contribui com “menos de 0,01% das emissões de gases de efeito estufa.

Na última quarta-feira, o colapso de uma geleira no Himalaia provocou uma enxurrada devastadora que deixou pelo menos 683 mortes e mais de 3 mil desaparecidos. 

“O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas.” 

“O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas.” 

“Apelamos, por isso, à comunidade internacional para que se una na preservação do ecossistema dos Himalaias”, acrescentou ainda o chefe da diplomacia nepalesa. 

Na mesma conferência, o ministro foi questionado sobre se o Governo nepalês planeja investigar as avalanches na região para compreender melhor o que motivou a avalanche de quarta-feira. 

Shisir Khanal indicou que o Nepal prevê estudar a situação em um “mecanismo conjunto” com investigadores chineses. 

Ele acrescentou que as autoridades nepalesas e chinesas já estavam em conversações para estabelecer um sistema de alerta em áreas mais vulneráveis antes mesmo da tragédia desta semana.  

“Estávamos em um processo de discussão para o estabelecer [o sistema de alerta], mas infelizmente este incidente aconteceu”, afirmou. 

Navin Singh Khadka, correspondente da BBC para assuntos ambientais, acredita que nos próximos dias será possível apurar qual o peso das alterações climáticas no colapso da geleira que provocou a enxurrada devastadora na fronteira do Nepal com o Tibete. 

Ainda sem estudos específicos, o especialista disse que o aquecimento global levou ao degelo acelerado de geleiras do Himalaia e citou um estudo, divulgado em março pelo Centro para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, que aponta para a duplicação das taxas de degelo naquela região desde 2000.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que o desastre, ocorrido na quarta-feira perto da fronteira entre a China e o Nepal, foi desencadeado pelo colapso de uma geleira, que lançou uma torrente de detritos através dos rios.

A enxurrada registrada na última quarta-feira provocou pelo menos 683 mortos no Nepal e no Tibete, e ainda há cerca de três mil pessoas desaparecidas.

Neste sábado, Katmandu reviu a decisão de manter equipes internacionais de busca e resgate fora das áreas afetadas. Ontem as autoridades indicavam que tinham meios próprios para conduzir as operações “por enquanto”.

Nos últimos dias, o governo nepalês recebeu pedidos de vários países que têm cidadãos entre os desaparecidos. 

“Recebemos um pedido da comunidade internacional para permitir pelo menos a entrada de equipes de busca e resgate, porque também há cidadãos desses países desaparecidos nas inundações”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Estamos permitindo um número limitado de especialistas em áreas específicas”, acrescentou. Foi autorizada a entrada de especialistas da Índia, China, Austrália e Coreia do Sul com experiência em resgates em túneis, análises de DNA e exames forenses. 

Um dos principais desafios está nos projetos hidroelétricos atingidos pela enxurrada, onde 933 trabalhadores e funcionários continuam sem ser localizados, segundo a Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Riscos de Desastres.

*Com Reuters

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Fonte: Agência Brasil

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