As Nações Unidas afirmaram nesta terça-feira (30) que coordenam mais de 2 mil socorristas enviados por 27 países para procurar sobreviventes sob os escombros, na sequência de dois terremotos que afetaram a Venezuela na semana passada.
A ONU assumiu a coordenação da operação, em colaboração com o governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, depois que a Venezuela foi atingida por dois tremores consecutivos na última quarta-feira (24), de magnitude 7,2 e 7,5, na escala Richter, que já provocaram pelo menos 1.719 mortes e mais de 5.034 feridos, segundo o balanço mais recente das autoridades.
Em coletiva de imprensa, o coordenador humanitário das Nações Unidas para a Venezuela, Gianluca Rampolla, informou que 27 países enviaram mais de 40 equipes de busca e salvamento, o que representa mais de 2 mil socorristas e pessoal no terreno, juntamente com 160 cães farejadores.
Rampolla adiantou que a busca e o resgate constituem o principal objetivo da “operação em grande escala” que está em andamento, apesar de já terem passado as primeiras 72 horas.
“Estamos coordenando esforços para prestar assistência médica de emergência, abrigo, ajuda alimentar, água e saneamento, apoio logístico e para garantir não só o armazenamento, mas também a distribuição de todos os mantimentos que estão chegando ao país”, afirmou.
Rampolla defendeu a colaboração com o governo venezuelano para garantir “a melhor utilização possível e o máximo impacto dos recursos” que estão sendo fornecidos.
Entre outros pontos, ele destacou “a estreita colaboração” com as equipes de resgate norte-americanas, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre se existem diferenças nas equipes no terreno, já que o presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou o fechamento da agência norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).
“Na verdade, os Estados Unidos foram o primeiro governo a anunciar a disponibilização de fundos para responder a esta emergência”, sublinhou Rampolla, descartando qualquer alteração a este respeito.
Rampolla afirmou também que a ONU vai fornecer 10 mil sacos mortuários para a Venezuela, esperando, no entanto que o balanço final das vítimas do terremoto seja inferior a esse número.
“Não vou começar a especular sobre números [de desaparecidos] que o governo não anunciou oficialmente”, observou o coordenador quando questionado sobre o número de desaparecidos.
Com 2,5 mil edifícios foram afetados, “a maioria dos quais totalmente destruídos”, “posso dar um indicador: estamos fornecendo 10 mil sacos mortuários, foi isso que decidimos em conjunto com as autoridades”, afirmou.
“É muito triste, e esperamos sinceramente que o número seja inferior a isso”, acrescentou.
Por outro lado, ele elogiou a rápida mobilização internacional e a solidariedade das populações locais.
As Nações Unidas estimam o número de desaparecidos em cerca de 50 mil.
Vários países, incluindo o Brasil e outros estados da União Europeia, enviaram equipes de busca e salvamento para a Venezuela, além de ajuda humanitária.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilômetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Centenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
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Fonte: Agência Brasil