Os especialistas e investigadores que atuam na inspeção dos destroços do superiate Bayesian, que naufragou na costa da Sicília no mês passado, matando sete pessoas, pediram que a segurança do local do acidente seja reforçada por suspeitas de que a embarcação guarde dados confidenciais de governo. “Múltiplas fontes” citaram à rede CNN a preocupação de que as informações contidas nos cofres possam interessar a autoridades estrangeiras.
A suspeita partiu dos promotores italianos que conduzem a investigação do acidente. Fontes ligadas à apuração do caso e à operação de salvamento apontaram que o Bayesian pode guardar “dados altamente confidenciais vinculados a vários serviços de inteligência ocidentais”. Isso porque o bilionário da tecnologia Mike Lynch, anfitrião da viagem, era associado a serviços de inteligência britânicos, americanos e outros por meio de suas várias empresas, incluindo a de segurança cibernética, a Darktrace. O navio pertence à mulher de Lynch, Angela Bacares.
Além de Mike Lynch e dos dois casais — Jonathan e Judy Bloomer e Chris e Neda Morvillo —, morreram no naufrágio a filha do bilionário, Hannah Lynch, e Ricardo Thomas, cozinheiro do veleiro.
A Darktrace foi fundada por Lynch e vendida em abril para a empresa de private equity Thoma Bravo, de Chicago. Ao longo da carreira, o bilionário chegou a ser consultor dos primeiros-ministros britânicos David Cameron e Theresa May em ciência, tecnologia e segurança cibernética. Sob condição de anonimato, um funcionário vinculado à operação de salvamento afirmou à CNN que as autoridades acreditam que o Bayesian “tenha cofres estanques contendo dois discos rígidos supercriptografados que armazenam informações altamente confidenciais, incluindo senhas”.
Parte dos 15 sobreviventes teriam dito aos investigadores que Lynch “não confiava em serviços de nuvem e sempre mantinha unidades de dados em um compartimento seguro do iate onde quer que navegasse”, disse uma fonte à CNN.
A polícia local temia que ladrões tentassem mergulhar aos destroços do superiate para buscar joias e outros objetos de valor a bordo. Agora, porém, a preocupação é que dados confidenciais possam cair nas mãos de autoridades estrangeiras, em especial de Rússia e China. Os promotores e mergulhadores pediram que a região seja monitorada, inclusive com vigilância subaquática.
“Um pedido formal foi aceito e implementado para segurança adicional dos destroços até que eles possam ser levantados”, confirmou à CNN um funcionário da autoridade de proteção civil da Sicília.
A embarcação, com bandeira do Reino Unido e nome Bayesian, foi atingida por um tornado após uma tempestade repentina e violenta. A bordo estavam 22 pessoas, incluindo 10 tripulantes e 12 passageiros de nacionalidades britânica, americana e canadense.
O superiate, com um dos maiores mastros do mundo, de 75 metros em alumínio, foi construído em 2008 pela italiana Perini Navi. Oferecido para aluguel por até R$ 1,1 milhão por semana, ele acomodava 12 passageiros e a tripulação em cabines luxuosas.
A embarcação, segundo o jornal americano New York Post, ganhou vários prêmios por seu elegante design de interior e foi vendido ao seu proprietário original por quase US$ 40 milhões, cerca de R$ 220 milhões na cotação atual.
Segundo os sites Charter World e Yacht Charters, o superiate possuía uma superestrutura de alumínio, convés de teca, dois motores a diesel de 8 cilindros e tanques para 14 mil litros de água doce. O interior, elegante e minimalista, em madeira clara com toques de estilo japonês, foi projetado pelo designer francês Rémi Tessier.
O veleiro, que anteriormente tinha o nome de Salute quando navegava com bandeira holandesa, estava ancorado no porto de Porticello quando a forte tempestade atingiu a costa e provocou seu naufrágio.
Fonte: O Globo