Com uma mordida que poderia partir um tubarão em dois e um crânio blindado, o Dunkleosteus foi um dos primeiros predadores da Terra, aterrorizando os mares subtropicais há 360 milhões de anos, durante o Período Devoniano. Segundo algumas estimativas, o peixe monstro media o comprimento de um ônibus escolar.
No entanto, um novo estudo está diminuindo consideravelmente o tamanho estimado de Dunkleosteus. Russell Engelman, um paleontólogo que busca seu doutorado na Case Western Reserve University, comparou recentemente as proporções da cabeça blindada de Dunkleosteus com o tamanho do crânio de centenas de peixes vivos e fósseis. Em uma publicação na revista Diversity, Engelman concluiu que esses peixes antigos atingiam no máximo 4,3 metros e tinham a forma mais parecida com um atum atarracado do que com tubarões esbeltos.
Para o estudo, o Engelman examinou vários espécimes de Dunkleosteus terrelli no Museu de História Natural de Cleveland. Muitos desses fósseis foram descobertos nas proximidades, em penhascos ao longo do Rio Rocky, tornando o animal, apelidado como “Dunk”, um ícone pré-histórico na cidade. Mas poucas pesquisas foram feitas sobre o tamanho de Dunkleosteus, e algumas das medições anteriores pareciam duvidosas para Engelman.
O Dunkleosteus pertencia a uma antiga classe de peixes conhecida como placodermo, que governou os mares durante o Devoniano, conhecido como “Período dos Peixes”, que ocorreu entre 416 milhões e 359,2 milhões de anos atrás. Como a maior parte do corpo de Dunkleosteus era provavelmente composta de cartilagem frágil, apenas as grossas placas de armadura que envolviam sua cabeça e pescoço foram preservadas como fósseis. Embora essas placas preservem as mandíbulas irregulares do predador, elas revelam pouco sobre o resto do corpo. Como resultado, a maioria dos esforços para dimensionar o Dunkleosteus baseou-se na extrapolação das proporções dos seus parentes muito menores.
De acordo com Engelman, o comprimento da cabeça é um indicador confiável do tamanho do corpo dos peixes: as espécies curtas geralmente têm cabeças menores, e as espécies de peixes longos têm cabeças maiores. Ele se concentrou na região entre o olho do peixe e a parte de trás da cabeça.
— O organismo não pode mexer muito com o tamanho desta área porque é onde estão o cérebro e as guelras — disse Engelman. — Se suas guelras ficarem muito pequenas, você sufoca.
Ele comparou o tamanho desta região em Dunkleosteus com as proporções da cabeça de quase mil outras espécies de peixes fósseis e animais vivos, variando em tamanho desde robalos até grandes tubarões. Depois de analisar vários modelos, ele concluiu que a cabeça do Dunkleosteus, que media cerca de 60 centímetros, correspondia a um peixe com pouco mais de 3,5 metros. O maior Dunkleosteus conhecido teria atingido cerca de 4,5 metros. Em vez de gigantes do tamanho de ônibus, esses peixes estavam mais próximos dos Fuscas, mas ainda eram dotados de mordidas esmagadoras de ossos.
A redução do comprimento do Dunkleosteus também altera suas proporções. A maioria das reconstruções retrata Dunkleosteus com o corpo alongado de um tubarão. No entanto, fósseis de placodermos mais completos revelam que esses peixes tinham corpos cilíndricos e achatados. Engelman acha que Dunkleosteus provavelmente se parecia com um atum gigante.
Este peixe corpulento era como um Pac-Man blindado. Tinha uma boca duas vezes maior que a de um grande tubarão branco e provavelmente pesava mais que os tubarões mais longos.
— As pessoas dizem que é gordinho, mas provavelmente é apenas músculo sólido — disse Engelman. — Pensam que isso é um rebaixamento, mas na verdade é uma atualização.
Longe de ser um habitante do fundo que nada lentamente, Dunkleosteus parece ter sido construído para movimentos rápidos em águas abertas. E mesmo um espécime menor ainda era o rei indiscutível dos mares Devonianos.
Caitlin Colleary, paleontóloga do Museu de História Natural de Cleveland, diz que é difícil afirmar com certeza como era realmente o Dunkleosteus sem mais partes do seu corpo. Embora a cartilagem raramente seja fossilizada, o xisto de Cleveland produziu os corpos cartilaginosos de tubarões que viveram ao lado de Dunkleosteus.
— Não me interpretem mal, eu adoro um ‘Dunk’ robusto — disse Colleary, que não esteve envolvida no novo estudo. — Mas não vou me apegar muito porque na ciência, especialmente na paleontologia, basta uma nova descoberta para mudar tudo.
Fonte: O Globo