Parque Ibirapuera e arredores têm média superior a um roubo ou furto por semana em 2023

Frequentadores do Ibirapuera sentados à beira do lago em dia de calor em São Paulo. Turistas de Rondônia tiveram bicicleta furtada no local
Frequentadores do Ibirapuera sentados à beira do lago em dia de calor em São Paulo. Turistas de Rondônia tiveram bicicleta furtada no local — Foto: Edilson Dantas

Um dos principais cartões-postais de São Paulo, o Parque Ibirapuera e seus arredores foram palco de 103 ocorrências policiais do início do ano até 31 de julho. Os dados foram obtidos pelo GLOBO via Lei de Acesso à Informação (LAI). Entre casos de ameaça, importunação sexual e lesão corporal, os mais recorrentes foram furtos (39) e roubos (8) a visitantes. Isso representa uma média próxima a dois registros dessa natureza por semana (1,67) nos primeiros sete meses do ano.

O número de casos registrados em 2023 já se aproxima do total contabilizado no ano passado, quando houve 135 ocorrências — dentre as quais, 57 furtos e roubos. Em 2021 e 2020, quando ainda havia restrições por conta da pandemia de Covid-19, foram 103 e 147 registros policiais, respectivamente.

Os dados foram enviados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) a partir dos registros no sistema de ocorrências da Polícia Civil. A pasta pondera que a metodologia não permite precisar se os episódios se deram no interior ou nos arredores do parque.

Nem todos os furtos ocorridos no local chegam ao conhecimento da polícia. A estudante Emilly Castilho, de 15 anos, foi ao Ibirapuera pela primeira vez em janeiro deste ano. Enquanto alugava uma bicicleta, alguém abriu sua mochila e levou os fones de ouvido e o dinheiro que ela havia levado para o passeio:

— Foi num momento de distração, eu não vi. Pensei até que havia caído no chão, mas depois me toquei que alguém realmente tinha mexido na minha mochila — contou a jovem, que não registrou boletim de ocorrência.

A primeira visita de Beatriz Nascimento ao parque também foi arruinada por um furto. Moradora de Porto Velho (RO), a jovem de 17 anos veio à capital paulista com a mãe no fim do ano passado e também alugou bicicletas para passear no Ibirapuera:

— Fiquei muito encantada porque é um parque lindo. Tomamos sorvete, foi uma maravilha. Mas uma hora paramos as bicicletas e nos sentamos na beira do lago. Foi quando uma moça se aproximou e começou a conversar. Minha mãe desconfiou, mas eu sempre fui muito receptiva e conversei bastante com ela. Até que percebemos que uma das bicicletas havia sido levada. Ficamos desesperadas, não éramos dali e não sabíamos como agir — conta Beatriz.

Ao retornar ao local onde havia alugado as bikes, a jovem foi avisada que precisaria pagar R$ 3 mil pela bicicleta furtada. Foi com a mãe até a delegacia registrar o boletim de ocorrência e não houve cobrança da multa. A mulher que havia distraído a dupla na beira do lago foi embora assim que as turistas perceberam o furto da bicicleta.

— Ainda faltavam cinco dias para irmos embora e foi algo que pesou muito na nossa viagem, como um trauma. Nossa cidade é muito tranquila, nunca havíamos experienciado isso. Provavelmente, eu não voltaria ao Ibirapuera por conta dessa lembrança ruim — declara a rondoniense.

O Parque Ibirapuera é administrado pela concessionária Urbia Parques desde 2020. A empresa, porém, é responsável apenas pela segurança patrimonial no local, enquanto a Guarda Civil Metropolitana (GCM) zela pela proteção dos visitantes.

O principal espaço de lazer da cidade está situado em uma das regiões mais abastadas de São Paulo. Em julho, o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, anunciou o reforço do policiamento nos Jardins, em Moema, em Pinheiros e na região da Avenida Paulista para prevenir a ocorrência de furtos. O Ibirapuera está situado em uma área que faz fronteira com esses dois primeiros bairros.

Em nota, a SSP informou que a Polícia Militar “realiza diversas operações preventivas e ostensivas nas imediações do parque” e que tem realizado reuniões com a administradora do Ibirapuera para pensar ações que visem a “levar aos usuários a plena percepção de segurança e a inibição de ações criminosas locais”.

A Urbia declarou que compete à GCM fazer a segurança do espaço e que “tem conhecimento de ocorrências pontuais” no Ibirapuera. Acrescentou que a concessionária “implantou câmeras com sistema de alta tecnologia, postos fixos elevados de segurança e realiza o monitoramento preventivo do parque na tentativa de coibir práticas ilegais no espaço”.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana disse que “realiza o patrulhamento nos parques da capital com rondas prolongadas de viaturas” e que reforça o contingente de guardas nessa atividade em dias de eventos.

Fonte: O Globo

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