Enchentes na Líbia: destruição e mortes por ‘tsunami’ em Derna aconteceram dentro de 90 minutos

Destruição na Líbia foi comparada com tsunami
Destruição na Líbia foi comparada com tsunami — Foto: Wesam Alhamale/AFP

Os trabalhos de busca por sobreviventes e de recuperação de corpos após a enchente devastadora que varreu o nordeste da Líbia continuavam nesta sexta-feira, enquanto a expectativa de encontrar os desaparecidos com vida cai. Com um balanço aproximado de 3,8 mil mortes confirmadas pelo Ministério do Interior (outras fontes oficiais citam números acima de 10 mil), as autoridades libanesas detalharam que a maior parte das fatalidades aconteceu em um espaço de 90 minutos após a ruptura de duas barragens no rio Wadi Derna, que varreu a região como um tsunami.

A estimativa de tempo foi revelada por autoridades à CNN. Com as chuvas torrenciais que atingiram o país entre domingo e segunda-feira, o volume de água nos reservatórios subiu rapidamente e rompeu as estruturas. Uma massa de água pesada arrastou tudo pelo caminho.

— A água estava carregada de lama, de árvores e pedaços de ferro. A enchente percorreu quilômetros antes de ocupar o centro da cidade [de Derna] e arrastar ou destruir tudo que encontrava pela frente — disse Abdelaziz Busmya, um homem de 29 anos que morava em um bairro que não foi afetado pela inundação. — Perdi amigos e pessoas próximas. Estão sepultados debaixo da lama ou foram arrastados pela água até o mar.

Com a tragédia ainda sendo contabilizada, cresce também a cobrança pública por responsabilizações, com cada vez mais vozes questionando que as autoridades líbias não adotaram as medidas de prevenção necessárias e se contentaram em ordenar que as pessoas permanecessem em casa antes da chegada da tempestade Daniel, que levou as chuvas torrenciais ao país.

Vários países e organizações internacionais ofereceram às equipes de emergência e voluntários, que vasculham a lama e os escombros na costa leste da Líbia. Socorristas do Crescente Vermelho participam dos trabalhos, enquanto tentam manter vivas as esperanças de encontrar sobreviventes.

— Ainda há esperança de encontrar sobreviventes — afirmou Tamer Ramadan, diretor das operações da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Líbia. Ramadan se negou, no entanto, a anunciar um balanço de mortos, que “não seria nem definitivo, nem preciso”, em uma entrevista coletiva em Genebra.

O marechal Khalifa Hafter, homem forte do leste do país, se dirigiu para Derna para “supervisionar as operações de resgate”, informaram emissoras de televisão vinculadas a Hafter.

Dezenas de corpos são encontrados a cada dia, alguns enterrados em valas comuns. Outros continuam presos em casas ou foram arrastados para o mar e depois devolvidos pelas ondas, afirmaram as autoridades do Departamento de Saúde, que temem possíveis epidemias ligadas à decomposição de cadáveres.

As autoridades enfrentam um dilema: conservar os corpos encontrados para possibilitar a identificação ou enterrá-los rapidamente para evitar a decomposição, já que a capacidade dos necrotérios é limitada.

— Estamos tentando […] obter amostras de DNA e fotos das vítimas antes de enterrá-las para ajudar na identificação mais tarde — afirmou o tenente Tarek al Kharraz, porta-voz do Ministério do Interior do governo não reconhecido no leste do país.

(COM AFP)

Fonte: O Globo

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