Copa aquece o comércio de camisas, bebidas e TVs

Quarta Feira, 09 de Novembro de 2022/Natal/ Camisa da seleção Brasileira. Camelodramo do Alecrim Foto.Magnus Nascimento Reporter Bruno Vital

A poucos dias da Copa do Mundo, o comércio potiguar já se encontra aquecido com a venda de camisas da Seleção Brasileira, acessórios temáticos, artigos de decoração, bebidas, alimentos e televisores. Em Natal, o clima de Copa já começa a contagiar as ruas e se misturar com o período natalino, uma vez que neste ano o maior torneio de futebol do mundo acontece em dezembro, no Catar. Uma pesquisa da Fecomércio-RN aponta que 62,1% dos natalenses farão alguma compra no período, que deve movimentar R$ 70 milhões na capital e outros R$ 10 milhões em Mossoró

Para os vendedores, o cenário já é de melhora diante dos últimos anos de pandemia. Entre os consumidores, as compras já começaram. A dona de casa Elisângela Medeiros está animada para a Copa do Mundo e já garantiu o uniforme da Seleção para torcer pelo hexacampeonato. “Estou muito ansiosa para começar, vim aqui comprar uma camisa para mim e outra para minha filha, aproveitar que já está perto. Vim aqui pesquisar os preços, ver o modelo, gosto de vir aqui no Alecrim porque a gente pega o tecido, experimenta”, diz.

A vendedora Vânia Santos comemora o bom momento. Segundo ela, o comércio de camisas e assessórios temáticos da Copa já supera o ano passado. “Esse ano está muito bom, desde outubro, é como se a gente tivesse três dezembros consecutivos. Estamos confiantes que vamos conseguir fazer vendas melhores e tentar recuperar um pouquinho do que foi perdido nesse período tão difícil da pandemia. As vendas da Copa estão acima da expectativa, até agora ninguém está comprando roupa para o fim de ano, só camisa da Copa”, destaca.

A também vendedora Rosa Oliveira diz que a variedade de modelos e cores de camisas da Seleção é um diferencial. No Camelódromo do Alecrim são vendidas versões alternativas do uniforme canarinho. Tem para todos os gostos: além das camisas amarelas e azuis, os comerciantes oferecem camisas pretas, brancas, verdes e até rosas. “Aqui a gente tem de tudo, os clientes vêm aqui, olham, escolhem o melhor modelo, tamanho e cor. A azul está tendo uma procura muito grande”, afirma Rosa.

O otimismo também dá o tom no segmento dos eletrônicos, que também espera crescimento nas vendas de televisores. “O pessoal já está vindo bastante pesquisar os preços, estamos entrando no mês de novembro e o movimento está aumentando. Muitas pessoas procurando TVs, já é uma tradição que as pessoas procurem trocar de TV durante a Copa do Mundo”, destaca a vendedora Aline Rodrigues. Um desses clientes é o natalense José Maria, que pretende aproveitar as ofertas do período para comprar uma TV nova.

“Vim aqui olhar os preços, conversar com os vendedores, ver as melhores condições. É importante fazer essa pesquisa, já fui em várias lojas e vou continuar procurando. Num momento em que o dinheiro não está fácil e as coisas estão cada vez mais caras, a gente tem que fazer isso mesmo. Esse mês ainda vai ter a Black Friday e vamos ver os melhores valores”, comenta.

Um levantamento do Instituto Fecomércio apontou que 566 mil consumidores devam ir às compras com o objetivo de adquirir itens relacionados à Copa do Mundo de Futebol, o que representa um incremento de, aproximadamente, R$ 80 milhões nos comércios de Natal e Mossoró, onde a pesquisa foi feita. Nas duas principais cidades do estado, a intenção de gasto foi superior a R$ 120, em média. O natalense pretende gastar em R$ 144, dando preferência ao comércio de rua e ao shopping; enquanto o mossoroense pretende gastar R$ 125, tendo também o comércio de rua como primeira opção e a internet em segundo lugar.

O presidente do Sistema Fecomércio-RN, Marcelo Queiroz, diz que as expectativas são as melhores possíveis. “Esse período da Copa do Mundo ajuda no aquecimento das vendas nesse final de ano, onde temos a Black Friday no final de novembro e as tradicionais vendas para de Natal e Ano Novo. As compras para o período do campeonato mundial de futebol irão impactar diversos segmentos, vestuário e acessórios, alimentos e bebidas, e eletrônicos e eletrodomésticos estão entre os itens com maior intenção de consumo no pré e durante a realização dos jogos”, destaca Queiroz.

O levantamento da federação feito em Natal destaca que a preparação dos torcedores inclui a aquisição de peças de vestuário e acessórios (87,9%); alimentação e bebidas (26%); artigos de decoração e esportivos (10,6%); e eletrônicos/eletrodomésticos (2,7%); entre outros. Além disso, 70,2% dos consumidores pretendem comprar até três categorias de produtos, enquanto 29,8% pretendem comprar quatro ou mais produtos. A quantidade média de itens que cada um desses consumidores pretende comprar é de 2,5 itens.

Nos supermercados, a expectativa é pela alta da venda de bebidas, especialmente cervejas, itens para churrasco, petiscos e salgadinhos. O diretor da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), Eugênio Pacelli, afirma que os estabelecimentos estão reforçando os estoques.

“Estamos nos preparando em termos de estoque. Importante lembrar que dia 30 entra a primeira parcela do 13º e isso vai alavancar as vendas. Depois de uma hora para outra entram os produtos de Natal e Ano novo. Nos dias de jogos, os supermercados devem fechar uns quinze minutos antes do início do jogo do Brasil e reabrir após o jogo. Acreditamos que nos horários antes do jogo, teremos um considerável pico de vendas e depois do jogo, independente do resultado, movimento muito pequeno”, conta.

Entidades esperam alta de até 40% nas vendas

Entidades do comércio varejista potiguar têm boas expectativas para as vendas de fim de ano com o incremento da Copa do Mundo de Futebol no Rio Grande do Norte. A expectativa é de um aditivo que varia de 5 a 40% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado.

“A expectativa é de 30 a 40% no incremento de vendas. Estamos com boas expectativas. Alguns pontos e segmentos vêm crescendo desde a pandemia e do pós também. Todos estão investindo em produtos, atendimento ao cliente. Esse período de novembro começarmos contratações temporárias. Então as expectativas são as melhores”, aponta Matheus Feitosa, presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (Aeba).

Mesmo pensamento tem o presidente da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do RN, Afrânio Miranda. Segundo ele, as suas expectativas estão na casa dos 20% de incremento nos negócios e reforça a importância do consumidor comprar nos comércios locais.

“Na hora que a gente compra alguma coisa, com a internet que fica em qualquer lugar do mundo, o consumidor precisa prestar atenção que onde ele gera emprego e renda é dentro da sua cidade. Como se vai questionar se não tem emprego na cidade se o consumidor compra fora dela? Como as empresas vão crescer? Se a gente não vende aqui dentro do RN, não tem como empregar. Então comprar perto é gerar impostos, empregos”, aponta Afrânio Miranda.

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