Marcos Dantas

Entenda as hipóteses e dúvidas sobre a queda do voo da Chapecoense


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Quais são as hipóteses para o acidente?
A hipótese mais forte até agora é a de que ocorreu uma pane seca, ou seja, falta de combustível.

O que pode gerar essa falha?
Vários fatores. Entre eles, vazamento de combustível durante o voo, erro de cálculo da quantidade necessária para cumprir a viagem, erro de análise do desempenho de consumo do motor e até combustível de má qualidade. Desde a última terça (29), porém, a hipótese mais forte é a de que o avião não tinha capacidade de transportar a quantidade de combustível necessária para cumprir a viagem.

Quais são os indícios desta suspeita?
Um áudio divulgado por uma rádio colombiana mostra uma conversa supostamente entre a torre de controle de Medellín e o piloto da LaMia. Nela, o piloto relata falta de combustível. Depois de alguns segundos, a torre não consegue mais contato com o avião. Além disso, a distância entre Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colômbia), de 2.985 km, é maior do que a distância que a aeronave era capaz de voar (cerca de 2.965 km), segundo o próprio site da LaMia, portanto não sobraria combustível para possíveis imprevistos.
Isso explica a tragédia?
Ainda não. É possível que a aeronave tenha sido adaptada para carregar mais combustível do que demonstra o site da companhia. Só será possível saber as causas definitivas do acidente após o término das investigações, que podem demorar meses.

Qual é a regra de combustível para voos na Bolívia?
Para fazer um voo no país, é necessário ter combustível para: 1) cumprir a viagem até o destino final; 2) chegar até um aeroporto auxiliar mais próximo de seu destino; e 3) sobrevoar 45 minutos sobre este segundo aeroporto.

O tráfego aéreo contribuiu para o acidente?
A operação dos controla-dores de voo colombiano não recebeu críticas até o momento. O sistema tinha que dar conta de diversos aviões chegando em Medellín ao mesmo tempo, alguns deles com imprevistos declarados via rádio. Supostamente, todas as aeronaves tinham condições de voar em círculos, aguardando liberação para o pouso –foi essa a orientação que a controladora colombiana deu ao piloto do voo da Chapecoense.

Se não tivesse voado em círculos, a aeronave chegaria ao aeroporto?
Talvez. O avião demoraria em torno de 4 minutos e 30 segundos a 5 minutos e 30 segundos para chegar até a pista se voasse em linha reta (isso a partir do momento em que parou de voar em círculos). O combustível durou pelo menos 14 minutos até a queda, a partir desse mesmo ponto, enquanto ele voava em círculos aguardando liberação da pista.

O avião que caiu já havia realizado uma viagem tão longa?
No último mês, a aeronave fez ao menos duas viagens com distâncias parecidas à do dia da queda. A mais longa ocorreu justamente na mesma rota do acidente, mas no caminho contrário. No dia 29 de outubro, o avião havia saído de Medellín com destino a Santa Cruz de La Sierra, em um voo que durou 4 horas e 32 minutos –no dia do acidente, o voo durou 4 horas e 42 minutos.

Se o avião tinha pouco combustível, porque não foi feita uma escala?
Segundo um diretor da companhia LaMia, o plano de voo previa uma parada para reabastecimento, mas ela não foi feita porque a tripulação assumiu que chegaria ao destino sem risco.

Estava chovendo forte no momento do acidente?
As informações sobre o tempo na região na noite de segunda (28) mostram que havia chuva fraca na hora da queda. Nuvens de tempestades, comuns nesta época do ano em Medellín, não foram atravessadas pelo avião.