Marcos Dantas

Com ocupações, alunos devem fazer Enem com presos


Cerca de 95 mil alunos que prestariam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próximo fim de semana devem ter mais um mês para se preparar. O Ministério da Educação (MEC) estuda aplicar o exame em 6 e 7 de dezembro (terça e quarta-feira) para os candidatos cujos locais de prova são escolas atualmente ocupadas pelo movimento de protesto dos secundaristas.

Esta data já havia sido definida para candidatos que estão presos e jovens sob medida socioeducativa. Eles fazem uma prova diferente mas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com o mesmo rigor e o mesmo balanço de dificuldades aplicados aos alunos em liberdade.

Neste ano, essa prova deve ser aplicada também aos alunos que prestariam o Enem nas escolas que estão ocupadas. Para funcionários do MEC, faltaria tempo hábil para a elaboração de uma terceira versão do exame, tornando essa alternativa a mais viável para o ministério.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, recomendou que os estudantes recuassem voluntariamente das ocupações até esta segunda-feira (31), apelando para o que chamou de “bom senso”. Levantamento mais recente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), divulgado na noite de sexta, apontava que 1.197 instituições de ensino seguiam ocupadas em 19 Estados e no Distrito Federal (DF) – nesta segunda-feira, a entidade estudantil não divulgou números.

Os estudantes protestam contra a medida provisória que determinou a reforma do ensino médio, contra a PEC 241 – que institui o teto e congela as despesas do governo, incluindo a área de educação, por até 20 anos – e também contra o projeto Escola sem Partido, que tramita no Congresso Nacional.