Brasil: E por falar nos 12 milhões de analfabetos acima dos 15 anos…

Por Antônio Neves – Professor

Na idade de 15 anos, o jovem está (ou deveria estar) concluindo o 9º ano do Ensino Fundamental, porém, o que ainda é percebido, é que uma parte significativa desse alunado é aprovado para os anos posteriores com expressiva deficiência em ler e escrever corretamente, ou apresenta dificuldades para exercer com a habilidade que sua idade e o ano de estudo exigem, outras tarefas como, realizar cálculos básicos de Matemática, conjugar verbos e interpretar um texto, formular um pensamento crítico em História ou Geografia, ou até mesmo definir os quatro pontos cardeais, por exemplo.

Mas há algo inusitado nisso tudo (para não dizer trágico), que é a necessidade estatística governamental e de conveniências outras que exige que, mesmo estando o aluno nestas condições, o professor tem que, quase por pressão, aprova-lo, independente de esse aluno está apto ou não a seguir adiante, e isso não é exceção, é regra universal no sistema educacional brasileiro, seja público ou privado, principalmente nos anos das séries iniciais.

O que vale é garantir as estatísticas governamentais e o status desse ou daquele espaço de ensino (fica bem na self quem aprova mais). Se houve ou não condições para suprir as “N” necessidades para isso, já é outro debate.

Resultado: A Escola (mesmo que involuntariamente) termina por passar adiante um significativo número de alunos inaptos, a única exigência que lhe é feita é que tem que passar de ano, com diagnósticos centrados somente na emissão de uma nota, e não de ser aprovado porque aprendeu o suficiente para justificar seu desempenho escolar e sua aprovação de forma conceituada. A proposta pedagógica em voga, teoricamente perfeita, contraditoriamente equivocada, e nem sempre adequada para essa ou aquela realidade de ensino, soma-se a outras falhas do Sistema e termina por contribuir com os baixos índices de aprendizagem que decoram estatísticas como estas apresentadas pelo IBGE.

O modelo de ensino brasileiro ainda é tão conservador e tradicional que escolas públicas ainda sequer conseguiram adentrar no mundo globalizado da informatização, da pesquisa, das tecnologias digitais básicas, das mudanças de valores e comportamentos culturais e sociais em discussão, da elaboração e operacionalização sistemática de um Projeto Político Pedagógico inclusivo e verdadeiro que possam harmonizar as práticas do ensinar com as do aprender.

A realidade exposta na pesquisa do IBGE, a partir das primeiras análises das metas do PNE, demonstra a manutenção no Brasil de um modelo educacional que favorece a baixa qualidade da formação escolar de crianças, jovens e adultos, e pelos números, as maiores deficiências continuam no Ensino Básico.

O analfabetismo funcional nada mais é que a contradição do aprender, pois se trata da existência de cidadãos que, por um período parcial ou total, passaram pelos bancos escolares, mas não aprenderam a ler, escrever ou fazer cálculos básicos de matemática.

A Escola com sua meritocracia tradicionalista, propaga ideias de sucesso e conquistas pautadas não nas necessidades centrais do saber, mas, muito mais, nos interesses dos mercados, e para isso, pelo mérito, é preciso então passar de ano a qualquer custo.

Uma escola que ignora o nível de aprendizagem do seu aluno e o aprova sem maiores e rígidos critérios de ensino, aprendizagem e avaliação, é uma Escola tão deficiente quando os índices de analfabetismo, semianalfabetíssimo e analfabetismo funcional que ainda impera no Brasil. E olhe que nem falamos da (in)disciplina.

E isso é grave!