Zelensky é estrela de uma Assembleia Geral esvaziada

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante evento em comemoração da Independência do país em Kiev
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante evento em comemoração da Independência do país em Kiev — Foto: AFP

Quatro dos cinco países membros-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas não participarão dos Debates Gerais da Assembleia Geral da ONU. Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Rishi Sunak (Reino Unido), e Emmanuel Macron (França) não estarão em Nova York nesta semana. O único integrante do órgão decisório máximo que irá discursar é o anfitrião Joe Biden. Estas ausências, somadas à do premier da Índia, Narendra Modi, e à do presidente do México, Andres Manuel López Obrador, demonstram como o evento anual mais importante da entidade que reúne 193 países estará esvaziada neste ano.

Os motivos para não comparecerem variam. Macron, que vem todos os anos, receberá o rei Charles em Paris. Sunak, primeiro-ministro britânico, surpreendeu ao anunciar que não viria, já que seria a sua primeira oportunidade de discursar na ONU. Era esperado que Putin e Xi não viessem. O líder mexicano também é avesso a viagens. Outros 145 chefes de Estado e/ou de governo devem comparecer, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será o primeiro governante a discursar, seguindo a tradição – o Brasil sempre é o primeiro país a ter um representante discursando, longo depois do presidente da Assembleia Geral, que abre os debates gerais, e do secretário-geral da ONU.

Historicamente, as pessoas somente prestam atenção aos discursos dos representantes de seus países, ao presidente dos EUA, a líderes de nações em conflito e a figuras exóticas, como Mahmoud Ahmedinejad, Hugo Chávez, Muamar Kadafi e, sim, Jair Bolsonaro. O restante discursa para plenários com cadeiras ocupadas por diplomatas do segundo e terceiro escalões. Neste ano, não há expectativa de nenhum exótico. Portanto as atenções estarão voltadas para Biden e para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que fará seu primeiro discurso in loco nas Nações Unidas.

Lula, por discursar logo antes do presidente dos EUA e por ser visto como um dos líderes do chamado “Sul Global”, não será ignorado e com certeza a imprensa internacional e diplomatas de outras nações querem saber o que o presidente do Brasil falará sobre meio-ambiente. Devem também observar o contraste dele em relação ao seu antecessor, Bolsonaro.

A Assembleia Geral, no entanto, não se resume aos discurso. Os encontros bilaterais serão fundamentais. No caso, Lula deve se reunir tanto com Biden como com Zelensky na quarta, além de outras lideranças internacionais. Com o presidente norte-americano, deve prevalecer uma agenda positiva. Já o ucraniano tentará seduzir Lula para que o brasileiro adote posições mais assertivas nas condenações à Rússia, ainda que saiba ser quase impossível um apoio militar ou a imposição de sanções a Moscou. O presidente do Brasil, por sua vez, tentará mostrar que está aberto ao diálogo com todo e mais uma vez buscará se posicionar como mediador do conflito.

Fonte: O Globo

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