Tanques israelenses cercam o último hospital no norte da Faixa de Gaza; 12 pessoas morreram

Médica atende homem ferido no Hospital Indonésio

Tanques israelenses cercaram o Hospital Indonésio, em Gaza, após ataques de artilharia que mataram 12 pessoas no centro médico, segundo o Ministério da Saúde do reduto palestino. O diretor geral do órgão, Munner al-Bursh, contou ao jornal Al Jazeera que as Forças de Defesa de Israel (FDI) estão atirando nas pessoas que tentam sair do último hospital em funcionamento no norte de Gaza. Ele descreve que os corpos ainda estão no chão, perto do complexo médico, e não é possível remove-los.

Al-Bursh diz que o ataque de artilharia aconteceu ontem à noite e teve como alvo o centro cirúrgico. O bombardeio matou 12 civis refugiados e feriu médicos que trabalhavam no local. O porta-voz do ministério, Ashraf al-Qudra, contou ao jornal Al Jazeera que “a situação é catastrófica” dentro do hospital, onde centenas de pessoas ainda estão encurralados.

— O staff do Hospital Indonésio está insistindo em ficar para tratar os feridos. Tem cerca de 700 pessoas dentro da instalação, incluindo a equipe médica e pessoas feridas — disse Ashraf al-Qudra.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) ainda não comentaram sobre o cerco, mas publicaram uma atualização operacional no X (antigo Twitter) afirmando que o Hamas está usando civis como escudos humanos no conflito.

— O Hamas está cometendo um duplo crime de guerra, se escondendo atrás de civis e deliberadamente se posicionando dentro de infraestrutura civil, como hospitais, casas, clínicas, mesquitas e hospitais. Ao mesmo tempo, eles buscam matar civis em Israel — disse o tenente coronel Amnon Shefler, das FDI, durante a live.

A equipe do hospital nega a presença de soldados do Hamas no centro médico. O ministro de relações exteriores da Indonésia, Retno Marsudi, emitiu um comunicado condenando as ações de Israel.

— O ataque é uma clara violação das leis humanitárias internacionais. Todos os países, especialmente os amigos de Israel, devem usar sua influência e recursos para instar que Israel pare suas atrocidades — disse Marsudi.

O Hospital Indonésio foi estabelecido em 2016 com o financiamento de organizações da Indonésia. Segundo o Al Jazeera, o hospital cessou a maioria de suas operações por falta de recursos, mas continua a abrigar civis e o staff. A repórter Anas al-Sharif, do jornal qatari, descreve que o clima dentro do centro médico é de pânico absoluto, enquanto as vítimas se acumulam no chão.

O ataque ao hospital indonésio vem um dia após a evacuação de 31 bebês prematuros do Hospital al-Shifa, o maior hospital de Gaza. Localizado na cidade de Gaza, o imenso complexo médico chegou a abrigar mais de sete mil pessoas, entre as quais haviam 250 gravemente doentes e feridos.

Na live das FDI, Amnon Shefler contou que soldados israelenses encontraram armas e equipamento de comando e controle no hospital, além de uma caminhonete com bombas e um túnel de 55 metros com armadilhas. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel garantiu que não houve confronto dentro do complexo, mas o grupo fala em até 40 mortes na operação.

Na última semana, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários disse estar “horrorizado” com a operação militar de Israel dentro do Hospital al-Shifa. A ação, que acabou revelando a rede de túneis, segundo Istael, também foi condenada por outras entidades internacionais, como a OMS e a Cruz Vermelha.

Antes de deixar o hospital, após horas de ocupação, os soldados interrogaram dezenas de civis, que foram liberados, segundo um jornalista da AFP. De acordo com a ONU, o complexo hospitalar abriga, hoje, 2.300 pessoas, entre pacientes, profissionais da saúde e deslocados.

Fonte: O Globo