Suspeito de liderar esquema bilionário de pirâmide com criptomoedas é preso em SC, após 1 ano e meio foragido

Claudio Barbosa: diretor da Trust Investments era considerado foragido pela PF por esquema que deu prejuízo bilionário
Claudio Barbosa: diretor da Trust Investments era considerado foragido pela PF por esquema que deu prejuízo bilionário — Foto: Reprodução

A Polícia Militar de Santa Catarina prendeu, nesta terça-feira (28), em Jurerê Internacional, um homem que era considerado foragido há cerca de 1 ano e meio pela Polícia Federal, no âmbito da Operação La Casa de Papel. Cláudio Barbosa, considerado um dos “faraós do Bitcoin”, é suspeito de ter promovido em 80 países um esquema de pirâmide que causou prejuízo de R$ 4,1 bilhões a mais de um milhão de pessoas deixou clientes lesados em Cuba. Atualmente, ele estaria vivendo uma vida de luxo em Florianópolis.

A ocorrência da PM narra que a guarnição do 21º BPM, após levantamento de informações, conseguiu abordar Cláudio e identificar que havia contra ele um mandado de prisão emitido pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. Em seguida, foi solicitado que o detido fosse encaminhado juntamente com seus pertences ao prédio da Polícia Federal. Junto com o homem, foi levado o veículo — de alto padrão — em que ele estava a bordo e um celular.

Em nota, a defesa de Cláudio Barbosa, representada pela advogada Talesca Campara de Souza, disse que tomou conhecimento de sua prisão e que, “nesse momento, entende ser totalmente desnecessária sua custódia cautelar uma vez que o processo já está em sua fase final”. Acrescentou que, “diante disso, já estão sendo preparadas as medidas cabíveis para restabelecer sua liberdade”.

Ainda segundo Talesca, ele estava residindo e trabalhando “de maneira lícita” em Florianópolis e jamais se furtou de prestar esclarecimentos.

A empresa Trust Investing captou investidores em Cuba, mas parou de efetuar pagamentos após seu representante local ser preso, em 28 de abril do ano passado. Ruslan Concepción, de 29 anos, passou quase cinco meses detido. Ele diz lesado pela companhia brasileira e reclama não ter recebido qualquer satisfação dos empresários alvos da operação “La Casa de Papel”, deflagrada em outubro de 2022.

De acordo com a investigação, os empresários Diego Chaves, Fabiano Lorite de Lima e Cláudio Barbosa, fundadores da corretora Trust Investing, além do pai de Diego, Diorge Chaves, e do empresário carioca Patrick Abrahão, marido da cantora Perlla e espécie de embaixador da empresa, lesaram investidores com um esquema que funcionava a partir da captação de interessados em países como Brasil e Cuba.

Concepción é engenheiro industrial, liderou a busca por clientes em Cuba e ficou conhecido no país caribenho pelas promessas de ganhos superiores a US$ 1 mil por dia a quem investisse na Trust. Ele foi preso no Aeroporto de Havana por suspeita de promover pirâmide financeira com criptomoedas. O suspeito estava prestes a embarcar para a Rússia.

Concepción se apresentava nas redes como um empreendedor entusiasta das criptomoedas. Mas quando foi preso, Cuba não tinha legislação para regulamentar este tipo de investimento. De acordo com a mídia cubana, Concepción tentou explicar aos policiais que a origem do seu dinheiro era a Trust Investing. No entanto, os agentes consideraram que era uma fonte de renda ilícita. Ele foi solto em 21 de setembro de 2021.

Após esta prisão, os pagamentos aos investidores cubanos foram suspensos. E, posteriormente, os clientes passaram a ter dificuldades para receber os valores, com prazos cada vez mais longos para o resgate dos investimentos, o que impedia os saques de valores aportados pelos investidores.

Os donos da Trust Investing alegaram que a culpa era do governo cubano, que impedia a empresa de ajudar o país. De acordo com a PF, os “fundadores” da organização bloquearam os pagamentos e divulgaram nas redes sociais que a medida era necessária porque o governo de Cuba teria impedido a empresa de atuar no país.

Um mês depois de ser solto, Concepción usou as redes sociais para escrever uma carta aberta a “Diego Chaves, Fabiano Lorite e diretores da Trust Investing”. Na publicação, o ex-líder cubano da empresa solicita “uma resposta oficial para a rede Cuba”.

“Estamos todos aguardando sua declaração e esclarecimento (eles comunicaram que fariam um Zoom ou Live) da posição oficial e conclusiva da empresa com a rede cubana, após a execução do roteiro para subtrair quantias consideráveis de saldo interno das afiliadas cubanas em dias anteriores e também perguntamos por qual motivo se mantém a persistência da não habilitação de saques”, diz a mensagem.

“Eles não dizem nada, não explicam nada e o tempo se esgota para TODOS”, acrescentou. “Também fui afetado, a minha conta está negativa com um montante quase impossível de recuperar dadas as condições atuais”, finalizou.

Dois dias depois, Concepción escreveu outro texto no qual afirma que os “outros não têm idéia de como é difícil sobreviver naquele lugar [prisão] mental e espiritualmente”. E afirmou que se solidariza com as dores de quem perdeu dinheiro no golpe.

Cobrado por aqueles que sofreram prejuízos, Concepción voltou às redes sociais em janeiro deste ano. Na ocasião, concordou que “há muitas coisas que devem ser explicadas”, mas se defendeu.

“Você está procurando no lugar errado porque concentrou sua energia no lugar errado, não tenho as respostas que você exige, nem cabe a mim entregá-los porque eu não sou responsável por nada do que aconteceu, não tomei as decisões por você”, escreveu.

“VOCÊ e TODOS tomam nossas próprias decisões como adultos, ninguém obrigou você, ninguém me obrigou e eu não forcei ninguém a fazer nada”, declarou.

A ação da PF de 1 ano e meio atrás resultou na prisão dos donos da Trust. Na ocasião, os agentes apreenderam carros de luxo, pacotes de esmeraldas, joias, pingentes no formato da logomarca da criptomoeda Bitcoin, dinheiro e relógios na “La Casa de Papel”.

O judiciário também determinou o bloqueio de US$ 20 milhões e sequestros de dinheiro em contas bancárias, imóveis de altíssimo padrão, gado, veículos, ouro, joias, artigos de luxo, mina de esmeraldas, lanchas e criptoativos em nome dos suspeitos e de suas empresas.

Fonte: O Globo

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