‘Reconhecimento de um erro que não pode mais acontecer’, diz Ailton Krenak sobre reparação a indígenas

Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a ABL
Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a ABL — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Para o escritor indígena e ativista ambiental Ailton Krenak, o dia é histórico. Nesta terça-feira, 2, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos reconheceu, pela primeira vez, os crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante o regime militar contra dois povos indígenas: os Krenak, de Minas Gerais, e os Guarani-Kaiowá, de Mato Grosso do Sul. A ação, afirmou o escritor ao GLOBO, “é um reconhecimento de um erro que não pode acontecer no futuro”.

O órgão julgou e formalizou um pedido de desculpas coletivo aos povos das duas etnias. Apesar de o reconhecimento do órgão não implicar ressarcimento financeiro, ele passa longe de ser simbólico na visão de Krenak, o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras.

— Acredito que o reconhecimento não é só simbólico. O ato de hoje inaugura o reconhecimento do Estado brasileiro à tentativa de aniquilamento dos povos indígenas, nesse caso os Krenak, durante a ditadura. É um reconhecimento de um erro que não pode acontecer no futuro — disse.

As duas ações analisadas nesta terça foram recorridas pelo Ministério Público após serem rejeitadas pelo colegiado em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Até o ano passado, a comissão só era permitida a analisar reparações individuais de vítimas da ditadura. O regimento, contudo, foi alterado.

Os Krenak e os Guarani-Kaiowá foram presos, presos e torturados durante o regime militar. O colegiado estima que a ditadura militar brasileira causou a morte de mais de 8 mil indígenas, por meio de ação ou omissão.

A presidente da Comissão de Anistia, Eneá de Stutz, pediu desculpas aos indígenas Krenak de joelhos no julgamento.

— Em nome do Estado brasileiro, eu quero pedir perdão por todo sofrimento que o seu povo passou. A senhora, como liderança matriarcal dos Krenak, por favor, leve o respeito, nossas homenagens e um sincero pedido de desculpas para que isso nunca mais aconteça — declarou Stutz.

Fonte: O Globo

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