Presidente da Ucrânia volta a defender adiamento das eleições: ‘não é o momento certo’

Zelensky chega para participar da cúpula da Comunidade Política Europeia em Granada, no sul da Espanha
Zelensky chega para participar da cúpula da Comunidade Política Europeia em Granada, no sul da Espanha — Foto: Thomas COEX / AFP

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou nesta segunda-feira a afirmar que não acredita que seja a hora certa para realizar eleições. A declaração ocorre em meio a um debate entre os líderes do país sobre a possibilidade de uma votação presidencial em 2024. A Constituição ucraniana diz que todas as eleições, incluindo a presidencial, prevista para ocorrer em março de 2024, estão tecnicamente canceladas devido à lei marcial, em vigor desde o início da guerra, no início do ano passado.

— Temos que decidir que agora é o momento da defesa, o momento da batalha, da qual depende o destino do Estado e do povo — disse Zelensky no seu discurso diário.

O líder ucraniano disse que era momento para o país estar unido, não dividido, e acrescentou:

— Acredito que agora não seja o momento (certo) para eleições.

O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse na semana passada que Zelensky estava “ponderando” se seria possível realizar as eleições no próximo ano, dada a invasão da Rússia. O presidente advertiu que seria difícil realizar as eleições devido ao grande número de ucranianos no estrangeiro e de soldados na linha de frente. As eleições parlamentares que deveriam ter sido realizadas no mês passado também foram canceladas devido à guerra. O Parlamento ucrâniano (a Rada) encerrou o seu mandato legislativo em outubro.

Zelensky, que foi eleito em 2019, disse em setembro que estava “pronto” para realizar eleições se fosse necessário e era a favor de permitir que observadores internacionais monitorassem a votação. A indicação havia sido dada no dia 29 de julho pelo presidente do Parlamento, Ruslan Stefanchuk, fiel aliado de Zelensky, quando surpreendeu os cidadãos com o anúncio de que haveria “brevemente uma atualização da lei” para a organização de eleições.

A expectativa do líder ucraniano era frear a queda de popularidade de seu governo e ganhar legitimidade para enfrentar possíveis negociações de paz para encerrar o conflito com a Rússia. A taxa de aprovação doe Zelensky disparou após o início da guerra, mas o cenário político do país permaneceu frágil, apesar da força unificadora da guerra.

Oleksiy Arestovych, antigo assessor presidencial, anunciou esta semana que iria concorrer contra o seu antigo chefe, depois de ter criticado Zelensky pelo ritmo lento da contraofensiva do país. A extensa linha da frente entre os dois países quase não se moveu em cerca de um ano, apesar de a Ucrânia ter lançado uma contraofensiva em junho para recuperar o território ocupado pela Rússia.

Entre os obstáculos a uma eleição durante a guerra estão a impossibilidade de organizar o pleito em territórios ocupados pela Rússia e o imenso número de ucranianos que precisaram deixar a Ucrânia em busca de refúgio em outros países.

Nesta segunda-feira, Zelensky disse que as forças ucranianas tinham destruído com sucesso um grande navio russo no estaleiro naval de Kerch, na Crimeia anexada. O presidente ucraniano tem se encontrado regularmente com os líderes ocidentais para tentar garantir mais defesas aéreas e evitar o cansaço internacional com o conflito, que já dura mais de 600 dias.

Zelensky também foi forçado a negar que o conflito tenha chegado a um impasse, mas admitiu no domingo que tinha chegado a uma “situação difícil”.

Fonte: O Globo

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