PF pede prisão do governador do Amazonas e faz apreensão em hotel

A Polícia Federal pediu a prisão do governador do Amazonas, Wilson Lima, e também o afastamento dele do mandato, na investigação de desvios na compra de respiradores para saúde pública do estado. Mas isso não ocorreu. O ministro do Superior Tribunal de Justiça Francisco Falcão negou as medidas consideradas mais duras “pelo menos neste momento”, disse ele. No entanto, Falcão autorizou todas as outras diligências.

Ao saber que o governador havia deixado o Amazonas, a PF pediu ao STJ para cumprir mandado de busca e apreensão também em Brasília, para onde Wilson viajou na noite dessa segunda-feira (29). Agentes da PF estiveram na manhã desta terça (30) no quarto de hotel em que ele estava hospedado e recolheram objetos.

A viagem chamou atenção da investigação. “O fato de ele ter saído do Amazonas foi estranho”, afirmou um dos principais investigadores à CNN. A casa de Wilson Lima no Amazonas, a sede do governo e endereços em São Paulo também foram alvos de buscas.

De acordo com a investigação, uma empresa de vinhos foi contratada para venda dos respiradores. “Algo grotesco. Não é uma fraude refinada. Foi a crença total na impunidade, justamente no epicentro da doença em Manaus”, afirmou o investigador à coluna.

A operação dessa terça-feira foi realizada pela PF e o Ministério Público Federal. O caso é investigado também pelo Ministério Público Estadual, que deflagrou operação no início do mês. Para investigadores federais, essa ação pode ter servido de alerta para Wilson Lima. Uma fonte reclamou da existência de tantas investigações ao mesmo tempo.

Oito pedidos de prisão temporária foram autorizados pela justiça. Foram presos a secretária de Saúde do Amazonas, Simone Araujo de Oliveira Papaiz; João Paulo Marques dos Santos, ex-secretário de saúde; Perseverando da Trindade Garcia Filho, ex-secretário executivo adjunto de saúde; Alcineide Figueiredo Pinheiro, ex-gerente de compras da Secretaria de Saúde. Também foram detidos Fábio José Antunes Passos, Cristiano da Silva Cordeiro, Luciane Zuffo Vargas de Andrade e Renata de Cássia Dias Mansur Silva. Não é a primeira vez que há uma operação para investigar desvios na Saúde do estado do Amazonas. A operação Maus Caminhos prendeu o ex-governador do estado José Mello (PROS), em 2017.