Peixes e animais mortos, ratos, baratas: moradores de Porto Alegre relatam mau cheiro forte com início do escoamento da água

Profissionais começaram nesta quarta-feira a limpar áreas de bairros mais castigados que começaram a secar
Profissionais começaram nesta quarta-feira a limpar áreas de bairros mais castigados que começaram a secar — Foto: Divulgação / Cesar Lopes / PMPA

Com a trégua das chuvas e a diminuição gradativa do nível do Rio Guaíba, que passou de 5,22m, na noite de terça-feira, para 5,12m, até última atualização no início da noite desta quarta, a água já começa a escoar um pouco em algumas das regiões mais atingidas pelas cheias em Porto Alegre, revelando parte da destruição provocada pelas enchentes. Mas, além disso, o cheiro que surge da lama, do lodo, de peixes e animais mortos, chorume, alimentos estragados – e o que mais ficou para trás – começa também a compor o cenário da tragédia.

Moradores e socorristas voluntários que passam pelo Centro da capital gaúcha relatam, desde ontem, a intensidade do mau cheiro e a prefeitura já tem recebido queixas desta natureza. Também são vários os registros de insetos como baratas espalhadas pelas ruas e ninhadas inteiras de ratos que se deslocam em busca de abrigo. Na segunda-feira, o fotógrafo do Sport Club Internacional Max Peixoto fez um registro impressionante que mostrava peixes mortos na esquina do Estádio Beira-Rio.

A reportagem conversou com um morador de Porto Alegre que, voluntariamente, tem participado de equipes de resgate na capital gaúcha. Ele, que prefere não se identificar, narra o que é possível ver do barco em algumas das áreas mais castigadas.

— Quando a água deu uma baixada hoje, a gente foi fazer uns resgates no (bairro) Sarandi e eu acabei vendo até uma pessoa morta… além de animais, cavalos, bois. Infelizmente, é isso que a gente acredita que esteja provocando esse cheiro forte na cidade. Mas quando baixar mesmo a água, vamos ver mais coisa ainda. A água continua alta e alguns lugares e muito turva, é impossível ver através dela — disse o morador.

Ainda antes disso, desde o início dessa semana, moradores já haviam registrado nas redes sociais infestações de baratas “gigantes”, “peregrinação” de ratazanas e até incidência de piranhas supostamente levadas pelos rios até ruas do Centro Histórico de Porto Alegre.

Nesta quarta-feira, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) começou, com uma equipe de 70 garis, os trabalhos de limpeza nas partes que secaram dos bairros Cidade Baixa e Menino Deus, no Largo Zumbi dos Palmares, na rua José de Alencar, em frente ao Hospital Mãe de Deus, e nas vias perpendiculares à avenida Getúlio Vargas, bairro Menino Deus. Os trabalhos continuarão nos próximos dias, recolhimento de resíduos acumulados e raspagem do lodo com auxílio de um caminhão compactador, uma retroescavadeira e um caminhão caçamba. Ainda não foi divulgado um balanço.

A Secretaria de Saúde do RS atenta para a necessidade de reforço nos cuidados, inclusive para o risco de dengue, por conta das enchentes.

“As enchentes são relacionadas a agravos imediatos como lesões de pele e infecções. Após alguns dias iniciam os agravos relacionados diretamente às enchentes como leptospirose, hepatite A, tétano e acidentes com animais peçonhentos. Por último, após as águas baixarem, podemos ter um aumento nos casos de dengue, casos as temperaturas favoreçam, pois criam-se depósitos nos entulhos deixados, que podem servir de criadouro. A orientação, nesses casos, é que a população elimine os criadouros, (dentro do possível, já que muitas vias públicas também estarão afetadas) não deixando água acumulada nos recipientes e eletrodomésticos que foram estragados e viraram entulho após a enchente”, informou Valeska Lizzi Lagranha, bióloga do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs).

Fonte: O Globo

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