O solo precisa ser cuidado? Por Procópío Lucena

DIÁLOGOS: DIA 25 DE ABRIL -DIA NACIONAL DE CONSERVÇÃO DO SOLO! O SOLO PRECISA SER CUIDADO?

A ONU(Organizações das Nações Unidas) já colocou na agenda internacional a celebração do Ano Internacional dos Solos e o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Esses temas reforçam a centralidade das questões agrária e agrícola em um mundo marcado por vertiginosos processos de urbanização e industrialização. Contribuem,dessa forma, para recolocar os termos do debate em um cenário político-institucional dominado por um pensamento econômico fragmentador, que dissocia a sociedade da natureza,os direitos econômicos das responsabilidades sociais e as ações técnicas de suas consequências ecológicas.

A efetiva superação dessa crise sistêmica cobra o rompimento dos elos de realimentação negativa estabelecidos entre a economia e a ecologia. Daí a relevância do atual debate sobre os solos neste dia nacional de conservação do solo. O solo figura como o principal elemento de interface dos ciclos econômico-ecológicos estabelecidos entre o mundo natural e o mundo social. No entanto, numa economia linear alimentada por energia fóssil, como a da agricultura industrial, ele é concebido como um mineral inanimado, passível de ser explorado até a completa exaustão pela hidroagronegocio.

É necessário reverter essa concepção de solo como mineral inanimado e concebê-lo como de fato ele é, um organismo vivo, cuja revitalização depende da sinergia entre os processos ecológicos alimentados pela fotossíntese e o trabalho humano gerido a partir da lógica econômica da agricultura familiar camponesa.

O solo por ser um organismo vivo, estoca água e recicla nutrientes, protege contra enchentes, produz alimentos, sequestra carbono e abriga cerca de 25% da biodiversidade do planeta. A natureza leva cerca de 2000 anos para criar uma camada de apenas 10 centímetros de solo fértil, enquanto o mau uso resulta em danos permanentes. O uso inadequado desse recurso natural causa perdas da ordem de 5 a 7 milhões de hectares anualmente. Estimativas indicam que até metade dos solos férteis do planeta teria sido perdida nos últimos 150 anos.

Embora o conhecimento sobre os solos no Brasil tenha progredido nas últimas duas décadas, ainda faltam informações detalhadas do território. Assim, é preciso rediscutir e retomar os programas de levantamento e mapeamento de solos para obter informações em escalas adequadas ao planejamento de seu uso, manejo e conservação. Mapas mais precisos, contudo não bastam. É necessário que os usuários saibam interpretá-los adequadamente. Neste sentido, a popularização da ciência do solo é fundamental para o sucesso de qualquer programa ou política pública que envolva o assunto.

Fatores como a percepção pública e a representação social do solo têm sido pouco discutido, tanto na pesquisa quanto na utilização destas ferramentas para alavancar o correto uso e manejo do solo. Deve-se buscar desenvolver a forma como o/a agricultor/a e os povos tradicionais entendem o solo, ampliando a percepção de sua importância, permitindo a melhor compreensão dos desafios relacionados e aumentando assim a mobilização social em torno da sua conservação. É imprescindível que se tenha espaços na sociedade e no governo para discussão e comunicação de políticas publicas relacionadas ao solo.

Outro aspecto para melhorar a gestão do solo é o estabelecimento de mecanismos para a superação dos conflitos do seu uso e posse, tais como sua democratização através de instrumentos de ordenamento territorial, reforma agrária e de regularização fundiária. O acesso aos recursos fundiários e o direito da terra aos agricultores familiares, camponeses e povos tradicionais garantem o uso sustentável do solo e da água com produção de alimentos saudáveis.

Os desafios relacionados a pandemia do COVID, à fome, pobreza, desigualdades, alimentação saudável, segurança hídrica, soberania e segurança alimentar e nutricional, à adaptação e mitigação das mudanças climáticas, desertificação e degradação dos solos associadas ao desafio do crescimento urbano desordenado e ao modo produção da monocultura e do hidroagronegocio impõem a necessidade de um planejamento permanente e participativo na perspectiva da agroecologia e de iniciativas locais com praticas de manejo e conservação do solo.

REUNIÃO VIRTUAL: DIÁLOGOS

È nesta perspectiva que realizaremos nesta quinta-feira, 15.04, a partir das 19h00, dia nacional de conservação do solo, uma reunião virtual pra tratar do tema: Mudanças Climáticos, desertificação e degradação do solo: Qual a relação com a segurança hídrica, soberania e segurança alimentar e nutricional? Que práticas de conservação do solo estamos fazendo em nossos territórios?

Essa reunião virtual DIÁLOGOS envolvendo a rede ASAPOTIGUAR/SEAPAC, Fórum de mudanças climáticas e justiça social do RN, UFERSA, UFRN comitês de bacias, IFRN, SEMARH, SEDRAF, CONSEA e sujeitos políticos sociais interessados e envolvidos com essa temática!

Participarão da reunião virtual DIÁLOGOS:

Asa Potiguar ( Coordenador Marcírio Lemos); Fórum de mudanças climáticas e justiça social do RN( Coordenadora Nevinha Valentim); Comitê federal da bacia hidrográfica dos rios Piancó-Piranhas-Açu( Presidente Paulo Varella); Comitê estadual Apodi- Mossoró( Presidente Rodrigo Guimarães); Pesquisador, professor da UFPB e do Geoceres/UFRN( Dr Saulo Roberto ); Professora da UFERSA de física do solo, engenheira Florestal, agrícola e ambiental(Dra Jeane Cruz Portela); Professor do curso de agroecologia do IFRN Ipanguaçu, doutor em manejo de solo e água ( Dr Julho Justino); Conselho Estadual de Segurança Alimentar -CONSEA( presidente Jean Pierre); Coordenação de Meio Ambiente e Saneamento(Comeas) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídrico -SEMARH/RN(Coordenador Robson Henrique); Secretaria do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar do RN (Sedraf-RN)( secretário Alexandre Lima); e e sujeitos políticos sociais interessados e envolvidos com essa temática!

O diálogo iniciará com o pesquisador, professor da UFPB e do Geoceres/UFRN- Dr Saulo Roberto e a Professora da UFERSA de física do solo, engenheira Florestal, agrícola e ambiental- Dra Jeane Cruz Portela! Cada um terá 15 minutos para sua contribuição e em seguida faremos um dialogo onde cada entidade presente terá 05 minutos para sua contribuição a cerca da temática!

Também teremos a contribuição de pessoas e entidades outras presentes interessadas e envolvidas com essa temática!

É uma conversa inicial sobre uma temática que não está focada na agenda de nossas entidades, nem da sociedade e nem dos governos

No final teremos encaminhamento(s) para a continuidade da discussão com a sociedade e o poder publico.

Coordenação e organização da reunião virtual DIÁLOGOS: Asa Potiguar/Seapac e Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social!!

Coordenador: Engenheiro Agrônomo José Procopio de Lucena, articulador estadual do Seapac-Serviço de apoio aos projetos alternativos!!