No RN, 33,5% dos estudantes adolescentes não tinham pia ou sabão para lavar as mãos na escola antes da pandemia

Cerca 14,6% dos escolares de 13 a 17 anos, alguma vez na vida e contra a sua vontade, foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo. No caso das meninas, o percentual (20,1%) é mais que o dobro do observado para os meninos (9,0%). Além disso, 6,3% dos escolares informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 3,6% dos meninos e 8,8% das meninas.

São informações da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019 que entrevistou estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. O universo retratado pela pesquisa abrange 11,8 milhões de estudantes de 13 a 17 anos, dos quais 7,7 milhões tinham de 13 a 15 anos e 4,2 milhões, de 16 ou 17 anos. Os meninos são 5,8 milhões (49,3%) e as meninas, 6 milhões (50,7%). Nas escolas públicas, estudavam 10,1 milhões (85,5%) e nas escolas privadas, 1,7 milhão (14,5%).

Em 2019, 63,3% dos escolares já haviam ingerido uma dose de bebida alcoólica e 34,6% deles haviam tomado a primeira dose com menos de 14 anos. Cerca de 47% dos escolares declararam ter passado por algum episódio de embriaguez.

O uso de droga ilícita em algum momento da vida foi declarado por 13% dos estudantes e 4,3% o fizeram pela primeira vez com menos de 14 anos, com maior proporção entre os escolares da rede pública (4,6%) do que entre os da rede privada (2,7%). Entre as drogas mencionadas, 5,3% relataram consumo recente de maconha e 0,6%, de crack. Quanto ao cigarro, 22,6% dos estudantes responderam ter fumado alguma vez na vida e 11,1% fumaram pela primeira vez antes dos 14 anos. Esse percentual, na rede pública (11,9%), é quase o dobro do encontrado na rede privada (6%).

Em 2019, 35,4% dos escolares já haviam tido sua iniciação sexual, sendo que 63,3% deles usaram preservativo em sua primeira vez e 40,9% não o utilizaram na última relação sexual. Entre as meninas que já haviam tido relação sexual, 7,9% engravidaram alguma vez na vida. Entre escolares da rede pública, esse percentual foi de 8,4%, enquanto entre escolares da rede particular, foi de 2,8%.

A PeNSE constatou que 79,7% dos adolescentes que já tiveram relação sexual utilizam algum método contraceptivo diferente da camisinha: 52,6% usaram pílula anticoncepcional na última relação sexual, 17,3% a pílula do dia seguinte e 9,8%, contraceptivos injetáveis.

Cerca de 11,6% dos estudantes de 13 a 17 anos (1,3 milhão de alunos) deixaram de ir à escola porque não se sentiam seguros no trajeto da casa para a escola.

Quanto ao bullying, 23% dos escolares afirmaram que se sentiram humilhados pelos colegas nos últimos 30 dias. O percentual das meninas (26,5%) superou o dos meninos (19,5%).

A PeNSE 2019 perguntou aos escolares se eles se sentiram ameaçados, ofendidos ou humilhados nas redes sociais ou em aplicativos: 13,2% responderam que sim.

Cerca de 49,8% dos escolares de 13 a 17 anos achavam seu corpo normal, 28,9% deles se achavam magros ou muito magros e 20,6%, gordos ou muito gordos.

A PeNSE buscou captar como os adolescentes se sentiam nos 30 dias anteriores à pesquisa: 21,4% afirmaram sentir que a vida não valia a pena ser vivida, sendo 29,6% das meninas e 13,0% dos meninos.

Menos da metade (49,7%) dos alunos das escolas públicas tinham computador, enquanto nas escolas privadas esse percentual era de 89,6%. Cerca de 68,6% dos escolares faziam higiene bucal três vezes ou mais ao dia, percentual superior ao dos Estados Unidos e Europa, mas que diminuiu frente a 2015 (71,7%).