MP da Venezuela emite mandados de prisão contra opositores, incluindo equipe da candidata María Corina Machado

María Corina Machado em ato na cidade de Valera, na Venezuela
María Corina Machado em ato na cidade de Valera, na Venezuela — Foto: Reprodução/Instagram

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou nesta quarta-feira a solicitação de mandados de prisão contra 13 líderes da oposição venezuelana, incluindo membros da equipe da candidata presidencial María Corina Machado. Eles são acusados de “traição à pátria” e outros crimes por supostamente tentarem interferir no referendo sobre a anexação do território do Essequibo, realizado no último domingo.

Além de três coordenadores do partido Vamos Venezuela (Vente Venezuela, em espanhol), de María Corina, o anúncio inclui também opositores no exílio, entre eles o ex-presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó e Julio Borges, ex-presidente da Assembleia Nacional. A eles se somam, entre outros, mandados de prisão contra o presidente da ONG Súmate, Roberto Abdulos, e os ex-ministros chavistas Andrés Izarra e Rafael Ramírez, informou o portal de notícias independente, Efecto Cocuyo.

Saab afirmou que os acusados estão envolvidos em atividades desestabilizadoras e conspiratórias contra o referendo não vinculante sobre o território do Essequibo, em disputa com a vizinha Guiana. Ele alega que identificou “financiamentos provenientes da lavagem de ativos de organizações internacionais para conspirar contra o desenvolvimento” da consulta popular.

Dois cidadãos americanos, identificados como Damian Merlo e Savoi Jadon Wright (preso na Venezuela desde 24 de outubro), foram mencionados como parte dessa suposta trama. Segundo o Saab, Merlo é um ex-empresário de telecomunicações e ex-assessor de política externa ligado ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e também do presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

— O Ministério Público, como titular da ação penal, não permitirá que essas ações fiquem impunes. Preferiram se vender para uma empresa petrolífera transnacional e uma potência estrangeira como os Estados Unidos — disse Saab.

Segundo o procurador-geral, as informações são de uma testemunha protegida familiarizada com as conexões nacionais e internacionais mantidas pelas pessoas mencionadas.

— O que acontece é que este é um regime que sabe que foi derrotado. Se acreditam que com isso vão criar medo, desastre, desmobilização, é muito pelo contrário — disse María Corina em coletiva de imprensa após o anúncio.

Candidata da ala mais radical da oposição, María Corina venceu as primárias com 93% dos votos, apesar de estar inabilitada politicamente por 15 anos e de a Justiça ter invalidado o processo posteriormente, contestando os números supostamente “inflados” de sua vitória.

A opositora também descartou, nesta quarta-feira, recorrer da inabilitação, embora tenha esclarecido que está avaliando a opção “dia após dia”. Negociadores do presidente e da oposição anunciaram em 30 de novembro uma via para que líderes inabilitados que buscam concorrer nas eleições do próximo ano possam solicitar ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) a revisão dessas sanções, estabelecendo um prazo até a próxima sexta-feira, 15 de dezembro.

— Hoje estou mais do que habilitada pela opinião pública — disse. — Não podem impor nem vias nem prazos. (Com AFP.)

Fonte: O Globo

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