Médico suspeito de participar de genocídio em Ruanda é julgado na França

Ex-ginecologista ruandês vai a julgamento na França sob a acusação de genocídio e crimes contra a humanidade durante os massacres de 1994 em seu país natal
Ex-ginecologista ruandês vai a julgamento na França sob a acusação de genocídio e crimes contra a humanidade durante os massacres de 1994 em seu país natal — Foto: ALAIN JOCARD / AFP

Um médico ruandês foi a julgamento na França na terça-feira sob acusações de genocídio e crimes contra a humanidade durante os massacres de 1994 em seu país natal. Sosthène Munyemana, de 68 anos, compareceu perante o Tribunal de Assizes quase 30 anos depois de uma denúncia ter sido apresentada contra ele na cidade francesa de Bordeaux, em 1995.

O caso é o mais antigo apresentado na França em nome da justiça universal sobre atos vinculados ao genocídio, que matou mais de 800.000 pessoas. Este é o sexto julgamento na França de um suposto participante nos massacres dos tutsis, que foram massacrados em Ruanda ao longo de 100 dias. O julgamento, programado para durar cinco semanas, será gravado e quase 70 testemunhas são esperadas para depor. O réu nega as acusações.

— Tudo é baseado em depoimentos de 29 anos atrás (…) É muito difícil basear o processo em depoimentos sobre eventos tão antigos — declarou o advogado Jean-Yves Dupeux.

A primeira denúncia contra Munyemana, que se mudou para a França após os massacres, foi apresentada em 1995. O ginecologista, considerado uma figura notável da região ruandesa de Butare, é acusado de participar de um comitê de crise que estabeleceu barreiras e executou rondas, nas quais as pessoas eram detidas antes dos assassinatos.

O médico também é acusado de ter a chave do escritório da região de Tumba, onde diversas pessoas do povo tutsis foram trancadas antes da execução, de acordo com a acusação. Munyemana alega que o escritório servia de “refúgio” para os tutsis.

A França já condenou seis homens por participação no genocídio, com penas que vão de 14 anos à prisão perpétua. Marc Sommerer, presidente do Tribunal de Assizes, atribuiu a extensão da investigação a fatores como a “necessidade de realizar investigações no exterior” e o fato de a França ter criado uma unidade de crimes contra a humanidade apenas em 2012.

De etnia hutu, Sosthène Munyemana morava em Butare, no sul de Ruanda, na época do genocídio. O médico se mudou para a França em 1994. O país tem sido um dos principais destinos para fugitivos que escapam da justiça pelo massacre ruandês. Desde 2014, a França julgou e condenou seis figuras, incluindo um ex-chefe de espionagem, dois ex-prefeitos e um ex-motorista de hotel.

Fonte: O Globo

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