Lula liga para von der Leyen para agilizar acordo Mercosul-UE

Lula e a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen
Segundo apurou o Poder360, apesar das divergências, o acordo está perto de ser finalizado, por isso vale a pena insistir no acordo até o fim do ano

Depois da vitória do direitista Javier Milei na Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta 2ª feira (20.nov.2023) por telefone com a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, para agilizar a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. Segundo apurou o Poder360, o contato serve como um impulso final nas negociações, que estariam perto de serem finalizadas.

O governo nega que haja uma conexão entre o telefonema e a vitória de Milei, que já ameaçou não aderir ao acordo caso fosse eleito. O Planalto alega que sempre foi uma meta do Executivo completar o acordo até o fim do ano.

Segundo o Planalto, a conversa durou cerca de meia hora e “deu seguimento à reunião que mantiveram na Cúpula do G20, em Nova Delhi, e tratou do andamento da negociação do acordo entre Mercosul e União Europeia”.

“O governo brasileiro ocupa a presidência do Mercosul até o dia 7 de dezembro, e tem discutido com a União Europeia os pontos finais do acordo entre os dois blocos. O presidente Lula conversou recentemente sobre o tema com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, que ocupa a presidência rotativa do bloco europeu”, declarou em nota divulgada às 17h53.

O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Paulo Pimenta, afirmou nesta 2ª (20.nov) que Lula não ligou para Milei e que cabe ao presidente eleito da Argentina contatar o brasileiro. Isso porque o político teria ofendido o petista “gratuitamente”. Agora, segundo Pimenta, seria preciso um pedido de desculpas para começar uma conversa.

Em setembro, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) havia dito que um resultado eleitoral “exótico” na Argentina poderia ser responsável por impedir a concretização do acordo do Mercosul com a União Europeia.

“É preciso fechar o acordo ainda este ano. Eu não sei o que vai ser do Mercosul se o acordo não for fechado e na Argentina a gente tiver um resultado eleitoral exótico”, declarou em evento em Nova York (EUA).

Em outubro, Lula disse que se o acordo não sair enquanto ele for presidente e Pedro Sánchez estiver à frente do bloco europeu, é possível que não saia mais.

“Se nós 2, que somos amigos, não fizermos um esforço muito grande para fazer esse acordo, acho que não sairá. Eu quero tirar do papel esse acordo”, disse em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

Lula já havia colocado uma espécie de ultimato sobre o tema. Disse que o acordo deve ser firmado até o fim deste ano. Em setembro, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse que não conduzirá as negociações quando seu país assumir a presidência rotativa do Mercosul, no início de dezembro, se nada estiver firmado até lá.

Mercosul e a UE concordaram com um texto em 2019, mas a conclusão vem sendo protelada. A UE apresentou novas exigências em uma carta enviada em março, que pede a inclusão de mais compromissos ambientais e sanções por descumprimento, o que não foi bem recebido pelo Brasil.

Além disso, a UE aprovou em abril uma lei anti-desmatamento própria que bane importação de produtos oriundos de áreas desmatadas depois de dezembro de 2020, o que segundo Lula tem “efeitos extraterritoriais e modificam o equilíbrio do acordo”.

O petista também se opõe a um dispositivo do acordo sobre compras governamentais, que autorizaria empresas europeias a participarem de licitações públicas nos países do Mercosul em condições de igualdade com as empresas locais. Segundo Lula, isso prejudicaria as pequenas e médias empresas no Brasil.

Segundo apurou o Poder360, apesar das divergências, o acordo está perto de ser finalizado. Por isso, vale a pena insistir até o fim do ano.

Fonte: Poder360

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