Itamaraty estuda nova repatriação de brasileiros na Faixa de Gaza e aguarda definição de Lula

Lula recebe os brasileiros que foram repatriados da zona de guerra na Faixa de Gaza
Lula recebe os brasileiros que foram repatriados da zona de guerra na Faixa de Gaza — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O governo estuda elaborar uma nova lista de brasileiros e parentes próximos que querem deixar a Faixa de Gaza e, com isso, escapar da guerra entre Israel e o Hamas. O assunto deve ser discutido, nesta quinta-feira, em uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira.

Segundo interlocutores da área diplomática, até o momento há uma demanda de mais de 60 pessoas que querem ser resgatadas e vir para o Brasil em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). A primeira leva de 32 brasileiros e parentes chegou a Brasília na noite da última segunda-feira. Parte de grupo desembarcou em São Paulo na manhã desta quarta.

A avaliação é que o processo será demorado e marcado por uma negociação até mais complexa do que a que ocorreu com a primeira lista. Dos cerca de 7 mil estrangeiros que tentavam atravessar a fronteira entre Gaza e o Egito, apenas a metade conseguiu sair. Ou seja, restam 3,5 mil pessoas à frente dos brasileiros que entrariam em uma segunda lista.

Mauro Vieira deu instruções às embaixadas do Brasil em Israel, na Palestina e no Egito, para saberem quais os critérios admitidos para a inclusão dos interessados na nova lista. A exigência de nacionalidade brasileira não seria um problema, pois a representação em Ramallah, na Cisjordânia, poderia resolver a questão rapidamente. O grau de parentesco, no entanto, é um fator preocupante, pois podem não ser aceitos familiares de segundo grau, por exemplo.

Ao receber os brasileiros que estavam no Oriente Médio, na Base Aérea de Brasília, Lula ouviu apelos para que uma nova leva de brasileiros e palestinos parentes de nacionais entrem em uma nova lista. Se o presidente der o sinal verde, a diplomacia do país terá que negociar com Israel, Egito, Palestina, Estados Unidos e Catar — esses dois últimos com forte influência nas decisões.

A crise no Oriente Médio começou em 7 de outubro, quando um ataque terrorista do Hamas resultou na morte e no sequestro de milhares de israelenses. Somente no dia 24 do mês passado, o Egito abriu a fronteira para que caminhões com alimentos, água, remédios e outros itens de primeira necessidade entrassem em Gaza e estrangeiros pudessem sair do local.

Várias listas com estrangeiros foram autorizadas, mas nenhuma delas incluía brasileiros. Hoje, há nacionais que não quiseram entrar na primeira leva e se arrependeram, mães, pais e outros parentes e é um bebê, segundo um integrante do governo brasileiro.

Apesar da possibilidade concreta de o Brasil voltar a negociar uma nova lista, as críticas de Lula a Israel não devem parar. O presidente brasileiro chegou a comparar os ataques terroristas do Hamas aos bombardeios a civis na Faixa de Gaza.

Entretanto, conforme O GLOBO mostrou, mesmo com Lula tendo intensificado, nos últimos dois dias, os ataques às ações de Israel, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não acreditam em uma mudança de posição da diplomacia do país em relação ao conflito no Oriente Médio após a liberação dos brasileiros que estavam na Faixa de Gaza. O mais provável é que o Brasil tente ajudar a encontrar uma solução que permita um acordo de paz duradoura.

Fonte: O Globo

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