Israel bombardeia Rafah e deixa ao menos 20 mortos, diz Hamas

Israel bombardeia Rafah, no extremo sul de Gaza
Israel bombardeia Rafah, no extremo sul de Gaza — Foto: AFP

Uma série de bombardeios aéreos israelenses na noite de domingo para segunda-feira na movimentada cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, deixou ao menos 22 mortos e dezenas de feridos, segundo a agência Reuters, citando um balanço do Ministério da Saúde do Hamas no território. Mais cedo, o Exército de Israel afirmou em comunicado que conduziram uma “série de ataques” no sul do enclave e que agora “concluíram” a ação, sem fornecer mais detalhes.

Jornalistas e testemunhas da AFP ouviram uma série intensa de bombardeios e viram fumaça sobre a cidade, que abriga mais da metade da população total de Gaza, deslocada pelo conflito.

Os ataques ocorrem em meio aos temores de uma incursão israelense em Rafah, que faz fronteira com o Egito, depois de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter prometido “passagem segura” para os civis deslocados para lá, apesar do alerta internacional sobre a possibilidade de um massacre na cidade que abriga metade dos 2,3 milhões de habitantes.

— A vitória está ao nosso alcance — disse Netanyahu, uma frase que ele usou várias vezes na semana passada, acrescentando que “faremos isso enquanto damos passagem segura à população civil, para que possam partir”, segundo trechos de uma entrevista concedida ao canal americano ABC.

Mas não está claro para onde poderiam ir tantas pessoas aglomeradas na fronteira com o Egito em tendas improvisadas. A este respeito, Netanyahu limitou-se a dizer que “estamos trabalhando num plano detalhado”. Rafah é a única cidade de Gaza onde as forças israelenses não entraram, apesar de a bombardearem diariamente.

— Eles disseram que Rafah era segura, mas não é. Todos os lugares são atacados — disse o palestino Mohamed Saydam após um ataque israelense que destruiu um veículo da polícia no sábado em Rafah.

Netanyahu, que afirmou que a “vitória” sobre o Hamas só pode ser alcançada com a entrada de tropas em Rafah, ordenou na sexta-feira às suas forças que se preparassem para a operação. O anúncio gerou um coro de preocupação por parte de líderes mundiais e grupos de ajuda humanitária.

“O povo de Gaza não pode desaparecer no ar”, escreveu a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, na rede social X (antigo Twitter).

O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita alertou no sábado para “repercussões muito graves de um ataque em Rafah e convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU”. O chefe da diplomacia britânica, David Cameron, declarou-se “profundamente preocupado” com a ofensiva e expressou que “a prioridade deve ser uma pausa imediata nos combates e o envio de ajuda e a retirada dos reféns”.

Mais da metade dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza estão agora abrigados na cidade, muitos deles depois que o Exército israelense alertou sucessivas vezes para que os moradores do norte fugissem para o sul para evitar a guerra. Muitos estão exaustos, famintos e sem opções depois de meses de uma guerra que já custou a vida de mais de 27 mil pessoas no enclave, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas desde 2007.

Um importante líder do Hamas, em entrevista ao canal de televisão al-Aqsa, citada pela agência catari al-Jazeera, afirmou que qualquer ofensiva terrestre na cidade “explodirá” as negociações de um potencial acordo de cessar-fogo.

O conflito eclodiu em 7 de outubro, quando terroristas do Hamas mataram mais de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, segundo um relatório da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Em resposta, Israel prometeu “aniquilar” o Hamas e lançou uma campanha incessante de bombardeios e operações terrestres contra Gaza, onde 28.064 pessoas foram mortas até agora, principalmente mulheres, adolescentes e crianças, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Netanyahu anunciou o plano de invasão terrestre em Rafah logo após uma visita a Israel do secretário de Estado americano, Antony Blinken.

O líder israelense rejeitou a proposta de trégua depois de descrever as exigências do Hamas como “bizarras”. Mas os Estados Unidos, principal aliado e apoio militar de Israel, alertaram que os planos para invadir Rafah poderiam causar um “desastre”.

Neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse a Netanyahu que uma operação militar na cidade de Rafah não deve acontecer a menos que haja um plano “garanta a segurança” da população, informou a Casa Branca. Na quinta-feira, os EUA já haviam chamado a campanha militar israelense de “excessiva”.

As autoridades do Hamas em Gaza alertaram no sábado que uma invasão israelense em Rafah poderia causar “dezenas de milhares” de mortes. O Gabinete do presidente palestino, Mahmoud Abbas, alertou que a ação “ameaça a segurança e a paz na região e no mundo”.

Os militares israelenses anunciaram que mataram “dois importantes agentes do Hamas” no sábado em um ataque a Rafah.

Fonte: O Globo

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