Incêndios no Pantanal se aproximam de pousadas e preocupam proprietários: ‘Ajuda governamental demorou a chegar’

Queimadas preocupam proprietários de pousadas no Mato Grosso
Queimadas preocupam proprietários de pousadas no Mato Grosso — Foto: Arquivo Pessoal

Em meio à forte onda de calor, a série de queimadas no Pantanal que se espalha esta semana pelo Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul já ameaça pousadas da região. Proprietários de hospedagens nos dois estados onde fica o bioma relatam o medo de que as chamas consumam seus terrenos e reclamam de uma suposta demora na chegada de ajuda efetiva dos governos no combate ao fogo. Uma força-tarefa que conta com o Corpo de Bombeiros, representantes de ONGs e moradores vem atuando 24 horas para apagar focos de incêndio.

— As queimadas vêm ocorrendo há cerca de 20 dias e chegaram bem próximas das pousadas nesta última semana. Foi evidente que a ajuda governamental para apagar o fogo demorou a chegar. Até mandaram frotas no início, mas foi um efetivo pequeno. Se tivesse vindo com uma equipe maior quando os incêndios começaram a ser registrados, boa parte da destruição teria sido evitada — relata Thiago Brandão, proprietário da pousada Dona Onça, no Mato Grosso.

Veja vídeos das queimadas nas proximidades das pousadas

Brandão afirma que o fogo próximo de sua pousada ainda não foi totalmente apagado, já que em “todo amanhecer aparecem novos focos nos mesmos lugares”. A expectativa dos moradores é que a chuva prevista para esse final de semana consiga apagar de vez as queimadas.

— Se não tivesse um trabalho em equipe para atenuar os efeitos da queimada, a pousada já teria sido destruída, não só a minha, como a maioria. Reunimos maquinários, caminhões-pipa e aviões para nos auxiliar nesse trabalho contínuo. Nós apagamos os focos de incêndio, vem a noite, a situação se tranquiliza, e, quando o sol nasce, começa tudo de novo— diz o empresário.

Proprietário da pousada Jaguar Camp, Ailton Lara descreve o cenário no Mato Grosso como tenso e preocupante pelas consequências para o meio ambiente e para a saúde dos moradores da região.

— O fogo ontem (quarta-feira) veio muito forte, e as fagulhas lançadas caíram dentro da área da pousada. Estamos de olho porque a qualquer momento tudo pode acontecer. É um cenário de tristeza ver o Pantanal queimando, os animais e a vegetação morrendo, além do risco à saúde da comunidade. Está queimando muito — afirma Lara.

Os incêndios florestais no Pantanal fizeram os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decretarem situação de emergência. Com os decretos, os governos podem transferir recursos aos municípios afetados para a realização de ações de combate às queimadas.

Diante das queimadas, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, foi até o Mato Grosso. Nesta quarta-feira, acompanhado do governador em exercício, Otaviano Pivetta, ele sobrevoou as áreas atingidas pelos incêndios.

Agostinho foi até Poconé, uma das áreas mais afetadas pelas chamas. O presidente do Ibama também sobrevoou o Parque Estadual Encontro das Águas.

(Estagiário sob a supervisão de Luã Marinatto)

Fonte: O Globo

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