Ielly Gabriele: quem era a jovem que filmou a própria morte em Goiás

Ielly Gabriele filmou a própria morte por disparo de arma de fogo
Ielly Gabriele filmou a própria morte por disparo de arma de fogo — Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Goiás investiga a morte de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos, que filmou o instante em que o ex-namorado aponta e dispara uma arma de fogo em sua direção. Moradora de Jataí, a jovem trabalhava como vendedora e se preparava para começar um curso técnico de enfermagem.

“A vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas pela capacidade de começar de novo”, escreveu Ielly, que também se definia como “leonina”, em sua descrição no Instagram. Enquanto as aulas de enfermagem não começavam, ela usava as redes sociais para divulgar e vender peças de roupas para amigos e conhecidos, segundo contou sua mãe Olesiane Alves ao jornal O Popular.

A mãe comparou ainda a filha à personagem de desenho animado Dora Aventureira, explicando que a jovem “não tinha medo de viver”. Nas redes sociais, Ielly Alves compartilhava memes, trailers de filmes, como da série Cinquenta Tons e músicas, como da dupla Diego e Victor Hugo. Em uma postagem, de 2016, ela se refere a sua paixão por motos.

Diego Fonseca Borges, de 27 anos, com quem Ielly ainda se relacionava, está preso por homicídio qualificado por ter utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima, e também pode responder por feminicídio.

Segundo a mãe da vítima, o casal tinha um relacionamento conturbado, que durou um ano e sete meses. Em entrevista para a TV Anhanguera, a mãe de Ielly relatou que viu a filha chegar em casa com hematomas, após discussões com Diego Borges. Apesar disso, um boletim de ocorrência não chegou a ser registrado, segundo Olesiane.

Em conversa com O GLOBO, o delegado Thiago Saad, que está à frente do caso, disse que Diego contou uma versão inconsistente aos policiais, ainda na unidade de saúde, depois da morte da vítima. Ele, então, foi levado à delegacia. Foi quando uma tia da mulher levou o celular dela aos policiais, onde havia o vídeo que incriminava o ex-namorado.

— Ele alegou que uma moto com dois rapazes passou por eles, realizou disparos de arma de fogo e que um tiro teria atingido a namorada. Mas ele não conseguiu explicar onde foi o fato e como ocorreu ao certo. Os policiais já começaram a achar isso muito estranho. Quando foi confirmado o óbito da vítima, os peritos analisaram e perceberam que o orifício de entrada da bala não condizia com a versão apresentada por ele. Resolveram, então, conduzi-lo até a delegacia, onde foram feitos questionamentos

O investigador revela ainda que testemunhas e parentes da jovem relataram um histórico de agressividade do suspeito, o que foi confirmado por sua ficha criminal. Ele já tinha pelo menos duas passagens por violência doméstica contra outras duas mulheres, ex-namoradas.

— A tia da vítima veio até a delegacia e apresentou o celular dela (Ielly), desbloqueou e constatamos o vídeo que ela fez e que grava a própria morte. Ele então foi autuado por homicídio qualificado e pode ser autuado também por feminicídio. O autor apresenta duas passagens por violência doméstica contra ex-companheiras. As testemunhas afirmam que ele sempre foi um cara agressivo. Inclusive já teve casos de agressão contra a própria vítima.

Ele acrescenta ainda que a jovem entrou em contato com a tia dela naquele mesmo dia, dizendo que iria para um rancho da família de Diego, em Jataí, a convite dele, porque ele havia comprado um “brinquedinho”. A arma ainda não foi localizada pela polícia.

— A tia relata que ela entrou em contato mais cedo naquele dia e disse que iria no rancho do tio dele (do suspeito), porque ele pegou “um brinquedinho”, que seria a arma de fogo, e que iriam realizar disparos lá no rancho. Estavam os dois ingerindo bebida alcoólica e fazendo disparos de arma em alvos — conta. —Ele afirma que acreditava que a arma estava sem munição, mas estamos investigando se algo motivou o crime ou mesmo se houve premeditação, já que ele fez esse convite para um lugar isolado.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito.

Fonte: O Globo

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