Hospital Tarcísio Maia capta órgãos para a realização de transplantes

O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, realizou neste domingo (26) uma dupla captação de órgãos para transplante, que foram doados pelos familiares de dois pacientes da cidade de Serra do Mel, ambos vítimas de traumatismo craniano.

Foram enviados rins para Natal e para Porto Alegre, e um fígado para Belo Horizonte-MG, transportados com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB).

Com as duas captações realizadas ontem (26), o hospital Tarcísio Maia chega a 40 captações, coordenadas pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT/HRTM), sendo destaque nacional nesse trabalho, seguindo todas as normas de segurança estabelecidas pelo Ministério da Saúde (MS).

“Reforçamos a importância desse gesto das famílias dos doadores, que transformaram sua perda em esperança para os pacientes que terão sua vida renovada”, disse Rogéria Medeiros, coordenadora da Central de Transplantes do RN.

A equipe médica – formada pelos cirurgiões Fernando Lisboa, Maurício Ferreira e Aline Alves, a anestesiologista Andreza Lobato, e a enfermeira Mariana Consulin – integra a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e a Central Estadual de Transplantes (SUETO). Também presentes as enfermeiras Tathiane Palosche e Bruna Carvalho, a técnica de enfermagem Maria Suzete, na coordenação da assistência social, Telma Belém, e a enfermeira, Susana Mendes, todas do HRTM.

Reportagem publicada pela TRIBUNA DO NORTE em abril mostrou que o Rio Grande do Norte tinha naquela data 834 pessoas na fila por um transplante de medula óssea, córnea, rim ou coração. Há duas semanas, o Estado deu um importante passo neste tipo de procedimento com a retomada do transplante cardíaco, cirurgia que não acontecia há 10 anos nas unidades potiguares. De outubro de 2021 para cá, mais 58 pessoas entraram na fila por um transplante no RN. O mais comum é o de córnea com 490 pacientes aguardando doador, seguido por rim (270 pessoas), medula óssea (70) e coração (4). Os são da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) e Ministério da Saúde.

Todos os pacientes são cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que é um banco de doações gerido pelo MS. A Sesap reforça que a redução da fila depende exclusivamente das doações, que precisam ser autorizadas pelos familiares do doador. Anualmente, nos meses de setembro, os governos federal e estadual promovem campanha de sensibilização e conscientização sobre a importância o cadastro no banco nacional de doadores. O Estado tem uma taxa de recusa de 75% a 85% nos casos potenciais de doação, devido a negativa de familiares, conta o médico Luiz Roberto Fonseca.

“É preciso que haja esse envolvimento social. Sem o doador não há transplante. É importante também destacar que as famílias passam por momentos difíceis, mas através da informação a gente pode fazer esse trabalho de sensibilização. Doar é um ato de empatia, de fraternidade, de amor extremo. É nesse momento de maior dificuldade, que essa dor de perder um familiar pode propiciar a vida através de um transplante para essa pessoa que precisa de um rim, uma córnea, um fígado ou de um coração”, destaca o profissional, que é diretor do Hospital Rio Grande.

Os doadores podem ser de dois tipos: vivos ou falecidos. Uma pessoa viva pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, desde que seja maior de idade, juridicamente capaz e que não prejudique a própria saúde. Para o transplante entre vivos, o profissional médico deve avaliar histórico clínico do doador, além de verificar a compatibilidade sanguínea. Pela legislação, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, só com autorização judicial.

Já o segundo tipo diz respeito aos doadores falecidos, com diagnósticos de morte encefálica (vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou derrame) ou com morte causada por parada cardiorrespiratória. O doador falecido pode propiciar transplantes dos órgãos: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino; e tecidos: córneas, válvulas, ossos, músculos, tendões, pele, cartilagem, medula óssea, sangue do cordão umbilical, veias e artérias.

 

Do Tribuna do Norte