Governo de SP reduz artes e filosofia em novo currículo escolar, e aumenta espaço de português e matemática

O secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, e o governador Tarcísio de Freitas.
O secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, e o governador Tarcísio de Freitas. — Foto: Flávio Florido/Educação SP

O governo de São Paulo vai cortar pela metade a carga horária de disciplinas de artes, filosofia e sociologia para o novo currículo escolar e mais que dobrar o espaço de língua portuguesa e matemática.

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Os novos itinerários, válidos a partir de 2024, foram publicados no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira. As mudanças competem ao Ensino Médio (1ª, 2ª e 3ª série) e Ensino Fundamental (6º, 7º, 8º e 9º anos). A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo.

Estudantes do Ensino Médio terão 70% mais tempo para aprender matemática e 60% para a língua portuguesa a partir do próximo ano. O estado também vai começar a oferecer aulas de educação financeira nos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

A proposta era promessa do secretário de Educação, Renato Feder, que também implementou essa disciplina no Paraná quando comandou a pasta da Educação no estado.

O Ensino Médio terá redução de quatro para duas aulas tanto de artes quando de filosofia e sociologia. Biologia, educação física, língua inglesa e química manterão a carga horária.

Já física, geografia e história terão 50% mais de espaço, além do aumento já citado em língua portuguesa, que engloba redação e leitura, e matemática.

O itinerário formativo global do Ensino Médio terá disciplinas de educação financeira, inglês, tecnologia e robótica, projeto de vida, aceleração para vestibular (concentradas no último ano do Ensino Médio) e redação e leitura.

Já o itinerário formativo de aprofundamento contará com aulas de tecnologia e robótica, empreendedorismo, biotecnologia e química aplicada para as áreas de matemática e ciências naturais; e aulas de arte e mídias digitais, liderança, oratória, geopolítica e filosofia e sociedade moderna para as áreas de linguagens e ciências humanas e sociais aplicadas.

O governo de Tarcísio de Freitas diz que a diminuição do espaço para humanidades vai ao encontro da demanda de alunos e professores.

“Este ano, o governo do Estado de São Paulo, a partir da escuta realizada com estudantes e profissionais da educação, optou por simplificar a oferta de itinerários formativos do Ensino Médio — de 12 para três itinerários formativos, incluindo o Ensino Técnico — e ampliar a carga horária das disciplinas de matemática, língua portuguesa, física, geografia e história”, diz em nota a secretaria de Educação.

O Ensino Fundamental terá cortes nas aulas de artes (oito para seis na semana) e projeto de vida (oito para quatro), enquanto vai extinguir as eletivas. Terá ganho a disciplina de tecnologia e inovação (quatro para oito aulas), além da criação de educação financeira (quatro aulas) e orientação de estudos (oito aulas).

Feder tem feito uma gestão recheada de polêmicas e recuos no governo de São Paulo. A lista inclui a decisão de usar material 100% digital nas salas de aula, de abandonar o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e de comprar livros digitais sem licitação. Ele teve de recuar de todas.

O secretário também começou a ser investigado pelo Ministério Público em duas frentes: por possível conflito de interesse em contratos do estado com a empresa da qual é sócio; e pela decisão de não aderir ao PNLD.

Feder é acionista da Dragon Gem LLC, uma offshore dona de 28,16% das ações da Multilaser. A empresa de tecnologia tem contratos firmados com a gestão estadual. Um deles foi assinado em dezembro de 2022 com a própria secretaria que Feder assumiria dias depois, quando ele já havia sido anunciado como próximo chefe da pasta. O valor total chega a R$ 200 milhões.

Fonte: O Globo

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