Forte calor afeta o agronegócio com a morte de animais e plantas; no Acre, frigorífico perdeu mais de mil frangos

Brigadistas do ICMBIO agem para combater as altas chamas no Pantanal durante a onda de calor que assolou o país ao longo da semana passada
Brigadistas do ICMBIO agem para combater as altas chamas no Pantanal durante a onda de calor que assolou o país ao longo da semana passada — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/16-11-2023

Além de ter facilitado a propagação do fogo e causado problemas à saúde humana, a onda de calor que assolou o país na semana passada causou prejuízos à agropecuária. Os produtores relataram perdas de safras e de animais em níveis acima da média. No Acre, por exemplo, um frigorífico identificou mais de mil frangos de criação mortos.

As altas temperaturas alteram processos metabólicos e fisiológicos e podem matar plantas e animais. Outro impacto direto é o aumento do consumo de água, que eleva o risco de escassez.

Em períodos extremos, como na semana passada, suínos e aves são os que mais sofrem porque não conseguem suar, de acordo com Rosangela Poletto Cattani, do Comitê Científico da Certified Humane Brasil. Resultado disso, o frigorífico Acreaves contabilizou a perda de mil frangos de criação, em um prejuízo inédito.

— Aves e suínos aumentam a ofegação para diminuir a temperatura corporal. Isso causa distúrbio metabólico e o teor de umidade no ambiente dos galpões, normalmente muito adensados, aumenta muito — explica Cattani. — As mortes são as consequências mais drásticas. Ainda há queda na produção de ovos e da qualidade da casca. Na produção bovina, há perda de produção de leite, e os animais ganham menos peso, por se alimentarem menos.

Cattani destaca que o consumo de água dos animais mais do que dobra no calor intenso, por isso é essencial assegurar estoque de água. Outro problema comum é a pane elétrica nos galpões, já que ondas de calor podem afetar a geração de energia.

No caso das plantas, o calor tem potencial de abreviar o ciclo de reprodução. O fenômeno rende produções menores, explica José Renato Bouças Farias, pesquisador da Embrapa Soja.

— Sob estresse, a planta cresce menos, pois vai precocemente para a fase reprodutiva, como instinto de sobrevivência. O ciclo da soja dura de 100 a 120 dias, mas no calor extremo, encurta para 80 dias, e as plantas não crescem o bastante — diz.

A estiagem gera outro problema, associada à subida dos termômetros. É a deficiência hídrica, dificilmente compensada por irrigação artificial, diz Farias, que destaca que 95% da soja plantada no Brasil depende das precipitações.

O pesquisador diz que ainda não há dados para dimensionar o prejuízo de agora, mas que há pouco a ser feito como medida emergencial. Uma técnica preventiva comum, afirma, é cobrir o solo de palha, a fim de diminuir a incidência de raios solares e a perda de água por evaporação.

— O escalonamento do plantio, não concentrar tudo na mesma semana, é importante — acrescenta o engenheiro agrônomo da Embrapa Agropecuária Oeste Rodrigo Arroyo Garcia.

Fonte: O Globo

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