Forças Armadas de Israel dizem ter tentado enviar combustível para hospital, mas que oferta foi recusada

Sala de emergência do hospital Al-Shifa está lotada
Sala de emergência do hospital Al-Shifa está lotada — Foto: Khader Al Zanoun/AFP

Em meio a denúncias de uma situação caótica no principal hospital de Gaza, as Forças Armadas de Israel afirmaram ter tentado enviar 300 litros combustível para que o local continuasse atendendo pacientes. A oferta, no entanto, teria sido recusada pelo Hamas. Neste domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou ter perdido a comunicação com seus contatos do Hospital al-Shifa depois que o local foi “totalmente cercado” por soldados israelenses e sofreu uma queda de energia no sábado. A unidade é a maior do enclave e abriga mais de 20 mil pessoas, incluindo deslocados, equipe médica e feridos.

O último gerador em funcionamento foi destruído em um intenso bombardeio, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo terrorista Hamas. Israel, no entanto, negou ter bombardeado o local, mas reconheceu que realiza operações em seus arredores.

“As IDF (Forças Armadas de Israel) forneceram 300 litros de combustível para fins médicos urgentes ao Hospital Shifa, mas houve um problema que impediu o combustível de chegar ao seu destino. Por quê? Porque o CEO do Ministério da Saúde do Hamas, Yosef Abu Rish, proibiu”, escreveu as Forças Armadas no X, antigo Twitter, publicando um áudio.

Dezenas de pacientes morreram no hospital, entre eles um bebê prematuro em uma incubadora, segundo o New York Times. Já os sobreviventes estavam sendo alvejados ao tentar fugir, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), sem deixar claro quem eram os autores dos disparos.

Neste domingo, os diretores regionais da OMS e da Unicef divulgaram uma declaração conjunta apelando a uma “ação internacional decisiva” para alcançar um cessar-fogo em Gaza.

“Nos últimos 36 dias, a OMS registou pelo menos 137 ataques aos centros de saúde em Gaza, que resultaram em 521 mortes e 686 feridos, incluindo 16 vítimas fatais e 38 feridos entre os profissionais de saúde em serviço”, afirmou o comunicado, acrescentando: “Os funcionários de vários hospitais relatam falta de combustível, água e suprimentos médicos básicos, colocando a vida de todos os pacientes em risco imediato.”

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a dizer que o governo de Israel não protege os civis em Gaza.

— As leis da guerra preveem a proteção dos civis e o Exército israelense não o faz em Gaza — disse Guterres, em entrevista à CNN. — Pelos números de vítimas civis fica claro que isso não está acontecendo.

Netanyahu reagiu, criticando a ONU:

— O secretário-geral da ONU criticou Israel em vez daqueles selvagens do Hamas. Gostaria que a comunidade internacional nos apoiasse e atacasse o mal puro que o Hamas representa.

Fonte: O Globo

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