Faturamento do comércio eletrônico no Brasil cresce 182% em 6 anos

mulher comprando roupas online
Região sudeste é a que concentra o maior número de consumidores e centros de distribuição no Brasil

De 2017 a 2022, o faturamento do comércio eletrônico no Brasil cresceu quase 182%, somando R$ 169,6 bilhões em 6 anos. O número de pedidos online teve alta de 163% no mesmo período, chegando a 368,7 milhões em 2022.

As mulheres são as que possuem maior participação nos números. Em 2022, dentre os 83,8 milhões de brasileiros que realizaram compras pela internet, 58% foram mulheres e 42% homens.

A população do Sudeste é a mais ativa. Dentre os compradores, 62 milhões moram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Belo Horizonte. Em sequência aparece a região Sul, com 14 milhões de usuários.

Em entrevista ao Poder360, o presidente da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), Maurício Salvador, explica que a prevalência da região se dá pelas características, como renda e densidade demográfica da região, além da qualidade de acesso à internet.

“O faturamento do e-commerce segue mais ou menos a distribuição do PIB brasileiro. No entanto, 2 fatores também influenciam: a classe social e a qualidade da internet, que diminui quando saímos das grandes capitais. […] Isso impacta no e-commerce, pois se a pessoa não consegue navegar ou a navegação é muito lenta, as imagens não carregam, então ela não vai comprar”, explica.

Além disso, Salvador explica que, pelo fato dos centros de distribuição se concentrarem no Sudeste e no Sul, os habitantes dos Estados dessas regiões tendem a ser compradores mais ativos.

“Dado que muitos centros de distribuição do e-commerce estão localizados no Sudeste, o custo do frete para o Norte e Nordeste tende a ser um pouco mais caro. Por isso, os consumidores muitas vezes optam por acumular pedidos”.

O presidente da ABComm também afirma que as novas regras aprovadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para varejistas digitais do exterior que atuam no Brasil prejudicam os vendedores locais e, em médio e longo prazo, também impactam a população.

Para Salvador, a concorrência com as varejistas internacionais, como Shein e AliExpress, é “desleal” e acarretará demissões de trabalhadores que atuam no setor.

“Isso ocorre porque essas empresas cumprem todas as obrigações fiscais e encargos dentro do território nacional, competindo com outras que recebem subsídios do governo. Essa situação cria uma competição desigual que, em nenhum lugar do mundo, mostrou ser bem-sucedida, e no Brasil não será diferente”, explica.

Os brasileiros de 35 a 44 anos são os que mais compram produtos pela internet. Em 2º lugar, aparecem as pessoas entre 25 a 34 anos. Idosos e crianças são os que menos efetuam compras online.

Quase metade dos compradores (54%) são da classe C –pessoas que recebem de 4 até 10 salários mínimos. Já os pertencentes às classes A e B foram responsáveis por 32,4% do faturamento em 2022.

Segundo o especialista, a percepção de preço dos consumidores contribui significativamente para o crescimento contínuo do e-commerce. “Eles acreditam que as compras pela internet são geralmente mais econômicas, já que podem comparar preços em várias lojas. Essa percepção é respaldada pela tendência da internet oferecer preços mais competitivos em comparação com as lojas físicas”, diz.

Outro fator relevante é o “boca-a-boca” online, através da recomendação entre consumidores. “Se alguém realiza sua 1ª compra online, obtém êxito e encontra preços vantajosos, é provável que compartilhe essa experiência com amigos e familiares. Esse ciclo de recomendações acaba atraindo mais pessoas para o universo do comércio eletrônico”, diz o representante da ABComm.

Dentre os produtos mais procurados pelos consumidores, os eletrodomésticos estão no topo da lista das responsáveis por 17,5% das vendas totais. Produtos de telefonia aparecem em sequência, com 14,3%. Em 3º lugar estão os eletrônicos (11,6%).

Salvador explica que mesmo com o crescimento do e-commerce no Brasil, muitas empresas ainda não haviam aderido, seja por opção ou falta de planejamento. Além disso, uma parcela significativa de consumidores também resistiam às compras online. Mas o cenário mudou com o início da pandemia em 2020 e os lockdowns.

“Houve um aumento expressivo de pessoas que fizeram sua primeira compra online. No Brasil, estima-se que 6 milhões de brasileiros tenham realizado sua primeira compra online em 2020. O mesmo fenômeno ocorreu com as empresas, que, de repente, se viram obrigadas a fechar as portas físicas e migrar para o digital”, conclui.

De 2019 a 2020, foi registrado um aumento de R$ 39,4 bilhões no faturamento de e-commerce no Brasil, enquanto os pedidos online cresceram cerca de 40% no mesmo período.

Segundo o especialista, mesmo com a reabertura das lojas físicas e o fim do isolamento social, os clientes que tiveram uma experiência positiva com as compras online se “fidelizaram”, e empresas também mantiveram esse canal aberto devido ao desempenho positivo.

No 1º semestre deste ano, as vendas no comércio eletrônico atingiram R$ 80,4 bilhões, um aumento de 2% em comparação com o mesmo período de 2022. Segundo o presidente da associação, o resultado está alinhado com a expectativa de alcançar R$ 185,7 bilhões até o final de 2023.

Salvador destaca que o desempenho nas vendas da Black Friday e do Natal será determinante para o resultado do 2º semestre. A projeção é de um faturamento de R$ 7,1 bilhões no e-commerce durante o evento de promoções em 24 de novembro, refletindo um aumento de 17% em comparação ao ano anterior. A estimativa abrange o período de 20 a 27 de novembro, englobando a semana da Black Friday até a Cyber Monday, marcando o encerramento do ciclo dessas datas.

Fonte: Poder360

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