Fã de Taylor Swift descreve experiência em show com morte no RJ: ‘Brutal’

A fã gaúcha viajou ao Rio de Janeiro para acompanhar dois shows de Taylor Swift e realizar sonho da adolescência -  (crédito: Arquivo Pessoal)
A fã gaúcha viajou ao Rio de Janeiro para acompanhar dois shows de Taylor Swift e realizar sonho da adolescência - (crédito: Arquivo Pessoal)

A engenheira civil gaúcha Renata Cainelli, 25 anos, está desde a última quarta-feira (15/11) no Rio de Janeiro (RJ) para assistir à ídola da adolescência, Taylor Swift. Com ingressos comprados para sexta (17/11) e sábado (18/11), a fã passou por péssima experiência na tentativa de assistir ao primeiro show e o segundo foi adiado duas horas antes do previsto para iniciar.

“Chegamos às 8h na sexta, pegamos um lugar bom na fila e passamos o dia lá. Foi horrível. A gente recebeu água, tinha canga e guarda chuva. Quem estava acampando [os fãs] tinha estrutura e era o suporte para quem estava esperando”, conta a swifter. Assim que entraram no estádio, ela conta que ficaram na quinta fileira depois da grade de contenção do público. “O chão da pista e a grade estavam muito quentes. Não tinha como sentar, nem se apoiar. Evaporava um bafo daquele piso que era terrível”, relembra.

Assim que as apresentações de abertura iniciaram, Renata lembra que começou a ser empurrada pelas pessoas que tentavam ficar mais próximos ao palco. “É aquela coisa, onde cabia um, começa a caber quatro”, diz. Algumas pessoas começaram a desmaiar nesse momento e ela comenta que as pessoas que estavam em “estado menos crítico” os próprios fãs ajudavam levantando as pernas, jogando água nas pessoas. De acordo com ela, havia apenas um ventilador para todo público da pista.

Fã de Taylor Swift na fila do show na sexta
Renata estava na fila para assistir ao show na sexta 12 horas antes do horário previsto para iniciar
(foto: Arquivo Pessoal)

“Quando a Taylor entrou foi bizarro. Eu não via nada, fui prensada por pessoas atrás, na frente e dos lados. Não conseguia me mexer”, relembra, afirmando que chegou a se perder do amigo com quem estava e só o reencontrou quase meia hora depois.

Em um momento “mais calmo” do show, a engenheira relatou que viu cerca de 20 pessoas desmaiarem. “Não sei o que aconteceu, mas muitas pessoas começaram a passar mal. E quando alguém da grade desmaia, abre espaço para a pessoa atrás ir para a grade. Aí o pessoal começava a se empurrar e a gente ficava no meio disso. Meu amigo olhou para mim e disse que estava passando mal e começou a revirar os olhos. Os seguranças puxaram ele por cima da grade”, conta Renata, que afirma ter ficado ‘desesperada’.

A gaúcha lembra que a própria cantora estava incomodada com o calor e preocupada com os fãs que gritavam pedindo por água. A artista chegou a jogar garrafas de água ao público. “Era meio brutal. Acho que para quem estava vendo de cima o que a gente estava passando foi assustador”, reflete.

Uma pessoa chegou a morrer no local, devido ao extremo calor no local. Ana Clara Benevides, 23 anos, desmaiou no início do show e morreu após duas paradas cardiorrespiratórias. Os bombeiros estimaram que a sensação térmica do Engenhão no dia era de 60ºC.

Apesar da tragédia, a produtora T4F não comentou nada sobre mudanças no evento ou chance de cancelamento da apresentação de sábado. O ministro da Justiça, Flávio Dino, decidiu, então, anunciar portaria obrigando que todos shows no Brasil permitam a entrada de garrafa de água pessoal e “estações de hidratação” no evento. Os fãs lotaram desde o começo da manhã o entorno do estádio para o segundo show da turnê no país.

Com a expectativa de ter uma experiência mais calma e conseguir assistir ao show inteiro, Renata e os amigos chegaram às 16h. Eles estariam nas cadeiras, então, acreditavam que não haveria tantos problemas. O calor, no entanto, estava muito pior, segundo ela.

“Era umas 17h, já estava muito cheio o estádio. Estava um bafo insuportável, mas estávamos felizes, trocando pulseiras. Até que a gente abriu o Instagram e viu o comunicado da Taylor. Só meia hora depois alguém chegou no microfone e falou que o show tinha sido adiado por motivos de segurança”, diz. Meia hora depois, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, informou que a apresentação ocorrerá na segunda-feira, 20 de novembro. “Eu não vou poder ir porque trabalho segunda”, lamentou. Outros fãs choraram no local ao receberem a notícia. 

Para Renata, a sensação que fica é de frustração. “A gente pagou R$ 1,8 mil o ingresso e não tinha infraestrutura. De um dia para o outro tinha três ventiladores, a água estava no gelo, mas perto do que poderia ser feito depois que uma pessoa morreu, achei muito pouco”, finalizou.

Fonte: Correio Braziliense

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