Exército de Israel diz que dividiu Faixa de Gaza em duas para impedir que Hamas controle enclave

Centro de refugiados al-Maghazi, no centro da Faixa de Gaza, é atacado
Centro de refugiados al-Maghazi, no centro da Faixa de Gaza, é atacado — Foto: Yasser Qudih/AFP

Os militares de Israel anunciaram, nesta segunda-feira, que as suas tropas cercaram a Cidade de Gaza, dividindo efetivamente a Faixa de Gaza ao meio, na tentativa de evitar que o grupo terrorista Hamas controle o enclave. Na noite de domingo para segunda, mais de 450 alvos do Hamas foram atingidos, segundo o Exército, que afirmou ter capturado um dos principais complexos militares do grupo — com vários postos de observação, campos de treinamento e túneis subterrâneos. Um grande apagão também cortou o serviço de internet e telefone, pela terceira vez desde o início da guerra.

— Concluímos o nosso cerco, separando os redutos do Hamas no norte e no sul, decisão que tem se mostrado eficaz — disse o tenente-coronel Richard Hecht, porta-voz militar, na segunda-feira. — É uma guerra urbana de curta distância.

Como parte do esforço para mover os moradores do norte da Faixa de Gaza para o sul, as Forças Armadas de Israel também anunciaram a abertura de um corredor de trânsito, que duraria quatro horas, em meio a críticas sobre o aumento da crise humanitária na região. O terminal de Rafah, que liga a Faixa de Gaza ao Egito, também foi reaberto, confirmou o Hamas. Na semana passada, centenas de pessoas com passaporte estrangeiro e dezenas de palestinos feridos deixaram Gaza pelo local, mas a passagem foi fechada no último sábado.

Desde então, a cidade foi totalmente cercada por Israel, enquanto a imprensa local diz que uma incursão terrestre na região, a mais populosa de toda a Faixa, deve ocorrer nas próximas horas. Apenas na noite de domingo, 252 pessoas teriam sido mortas pelas forças israelenses segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas — o balanço inclui apenas a Cidade de Gaza. Mais de 10 mil pessoas foram mortas no enclave desde o início da guerra, há quase um mês, quando o grupo invadiu o território israelense, deixando 1.400 mortos.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, encerrou sua turnê pelo Oriente Médio, em mais um esforço do governo americano para evitar que a guerra se expanda pela região. Durante sua rápida visita, que terminou na Turquia, Blinken pediu ajuda dos aliados para impedir que o Irã entrasse no conflito.

— Os países estão muito empenhados em tentar garantir que isso não aconteça — disse Blinken, após se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, em Ancara. — Às vezes, a ausência de algo ruim acontecendo pode não ser a evidência mais óbvia de progresso, mas é.

(Com New York Times)

Fonte: O Globo

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