Este ano não dá para negar: o clima está mudando e o Brasil precisa se preparar

Termômetro marca 42º em Copacabana no Rio de Janeiro
Termômetro marca 42º em Copacabana no Rio de Janeiro — Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo

O Brasil precisa tratar com mais seriedade tudo o que se refere às mudanças do clima. Não se trata de uma onda de calor ou de frio, uma chuva mais forte. Isso sempre aconteceu e vai continuar acontecendo. O que estamos vivendo é muito mais complexo, e demanda uma visão integrada para enfrentar essas mudanças que podem ser vistas em vários fenômenos. Se existe um ano em que o Brasil não pode ignorar a mudança climática é 2023.

Tivemos enchentes dramáticas no Sul. Em Porto Alegre, o Rio Guaíba registrou altas nunca antes vistas. Por outro lado, o Norte do país vive uma seca profunda que atingiu os rios da Amazônia de uma forma geral. No Rio, viu-se uma ressaca, com a elevação do nível do mar como há muito não se tinha notícia. Em São Paulo, os ventos atingiram, na primeira semana deste mês, 151km/h, o que pode ser classificado como furacão, nível 1, deixando milhões de pessoas sem luz.

Tudo isso mostra que o país não está preparado. As cidades não se prepararam. É preciso investir muito mais em todas as frentes, já que essas mudanças afetam segmentos diversos. Por exemplo, a área da saúde, o calor extremo mata mais do que o frio e nós precisamos aprender a lidar com isso. A nossa demografia está mudando, o país está mais velho e as pessoas estão vivendo mais. Aumento da expectativa de vida é uma boa notícia, mas são os mais idosos, junto com as crianças, os mais vulneráveis ao calor.

Temos que pensar nisso para o futuro, preparar cidades, como Recife por exemplo, para elevação do nível do mar. E isso precisa começar a ser feito agora. Há estudos sérios a esse respeito, por exemplo, da Universidade Federal de Pernambuco, que precisam ser levados e conta no planejamento das cidades. Especialistas precisam ser ouvidos.

Em Brasília, por exemplo, as secas estão ficando cada vez mais longas. É preciso mais árvores, deter o desmatamento do Cerrado, sob o qual se avançou com a agricultura.

Sob qualquer ângulo que se trate o tema há muito trabalho a ser feito. É preciso mudar hábitos de vida e principalmente colocar nas agendas dos governos políticas públicas para enfrentar os extremos do clima.

Estamos a um ano das eleições municipais, é na cidade onde as pessoas vivem e é preciso exigir dos políticos que as mudanças climáticas façam parte das suas plataformas. Um negacionista pode levar pessoas à morte, porque se ele nega a mudança climática, não preparará a cidade para enfrentá-las. E este ano é aquele ano que não dá para negar a mudança do clima.

Fonte: O Globo

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