Enel SP tem o maior tempo médio para atendimentos de ocorrências da série histórica

Desde 2018, a Enel é a concessionária responsável por distribuir energia elétrica para 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo.
Desde 2018, a Enel é a concessionária responsável por distribuir energia elétrica para 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo. — Foto: Divulgação

O tempo médio para atendimentos de ocorrências pela Enel São Paulo atingiu o maior patamar da série histórica e aumentou nos dois primeiros meses de 2024, em comparação ao mesmo período do ano passado. A concessionária atende cerca de 7 milhões de pessoas em 24 municípios da Região Metropolitana, incluindo a capital, e está no alvo do Ministério de Minas e Energia, que determinou a abertura de um processo disciplinar para investigar as “transgressões reiteradas” da empresa.

Segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o tempo de atendimento de emergências, a Enel SP teve 26.099 ocorrências emergenciais com interrupção de energia elétrica em janeiro e 25.438 em fevereiro, somando 51.537 ocorrências — um aumento de 13% em relação aos dois primeiros meses de 2023.

O Tempo Médio de Preparação, que avalia o tempo que a concessionária leva para preparar a equipe para o atendimento de emergência, foi de 12 horas e 20 minutos em janeiro e fevereiro (732 minutos). Se considerados os mesmos meses de 2023, o tempo era de cerca de 11 horas e 40 minutos. Já se levada em consideração a média de todo o ano passado, o tempo médio de preparação foi de 11 horas e oito minutos.

O número vem crescendo nos últimos anos, já que em 2022 a Enel levava, em média, 554 minutos para atender às ocorrências emergenciais — ou cerca de 9 horas e 24 minutos. Em 2021, o tempo era de pouco mais de seis horas e, no ano anterior, de oito horas. Em 2019, também girava em torno de seis horas e, em 2018, quando a Enel assumiu a operação que antes era da Eletropaulo, era de apenas quatro horas. Esse indicador existe desde 2009, e hoje a concessionária chegou ao pior patamar.

Novembro foi o mês com mais demora para atendimento dessas ocorrências — tanto em relação ao tempo médio de preparação quanto de execução dos serviços para religar a luz. Nesse mês, a empresa levou em média 1.018 minutos para preparar o atendimento, mais de 16 horas.

Foi em 3 de novembro que um apagão deixou mais de 2 milhões de pessoas sem energia elétrica em diversos bairros de São Paulo e de cidades da Região Metropolitana. Em alguns locais, foram seis dias com o serviço interrompido, após um temporal com ventos de mais de 100 quilômetros por hora. No dia 15 daquele mês, houve novas interrupções nos serviços em alguns bairros da capital.

Quando comparada com outras concessionárias do país neste quesito de tempo de preparação do atendimento, a Enel só fica atrás da Light, que atua na cidade do Rio de Janeiro, e da Neoenergia de Pernambuco. Procurada, a Enel não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Fonte: O Globo

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