Emparn terá reunião sobre chuvas

A confirmação da previsão de chuvas no Rio Grande do Norte para o ano de 2020 vai acontecer na semana que vem pelos meteorologistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) e de outros estados do Nordeste. Nos anúncios iniciais, os prognósticos ficaram entre normal e acima do normal no Estado para este ano.

De acordo com o chefe da Unidade de Meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot, as discussões técnicas devem acontecer na terça-feira (18), na sede da unidade, com meteorologistas de Pernambuco, Paraíba e Bahia, com outros representantes participando via videoconferência. Na quarta-feira, material será apresentado na Governadoria.

“Vamos ter as discussões técnicas das condições dos oceanos, dos modelos e elaboração dos boletins. Vamos analisar as condições que o final de janeiro e fevereiro tem apresentado nos oceanos e analisar os resultados. Mas provavelmente, como não teve muita mudança, a não ser que alguma das instituições tragam alguma novidade, a tendência é que se repita as previsões que foram divulgadas”, afirma à TRIBUNA DO NORTE.

Essas previsões, segundo Gilmar Bristot, são válidas para os meses mais chuvosos, como março, abril e maio. A previsão divulgada em janeiro, por sua vez, valia entre fevereiro e abril. “Ele pega os três meses finais do período chuvoso do semiárido, que vai de fevereiro a maio. É a última reunião visando previsão para o semiárido. Depois vamos começar a discutir as previsões para o setor Leste do Nordeste”, aponta.

As previsões iniciais para as chuvas em 2020 são de precipitações dentro do normal ou acima do normal, segundo os prognósticos iniciais da Emparn apresentados no último dia 17 de janeiro. Após seis anos de seca, o Rio Grande do Norte pode ter seu terceiro ano consecutivo com boas chuvas na quadra chuvosa. Para se ter ideia, as águas que caíram no Estado em 2019 foram as melhores nos últimos sete anos.

A média de chuvas deve variar entre 800 e 1.200 milímetros. Em 2019, a média ficou entre 840 mm, segundo a Emparn. A recuperação dos reservatórios, por exemplo, foi apontada para 50% com a expectativa de se chegar a 40% do manancial do Estado. Em 2019, esse percentual foi de 35%.

Para se chegar a uma conclusão de como vai ser o ano chuvoso no semiárido, o meteorologista Gilmar Bristot explica que os pesquisadores levam em consideração uma série de parâmetros padronizados que indicam as condições climáticas no Nordeste.

“Quando você tem um determinado comportamento no oceano pacífico, no caso, na faixa equatorial mais aquecida que o normal, que você tem o fenômeno El Nino, ele causa uma formação de massa de ar quente no Nordeste e impede a formação de chuvas”, explica.

“Quando tem o pacífico mais frio, você tem a circulação normal e a circulação de chuvas. A mesma coisa acontece no Atlântico. Nós precisamos que o Atlântico seja mais quente no sul e mais frio no norte para que a alta pressão desloque a zona de convergência para cima do Nordeste, trazendo as chuvas”, acrescenta Gilmar Bristot.

Sobre as orientações aos agricultores do Rio Grande do Norte, Gilmar Bristot repercutiu o assunto. “A orientação que nós demos foi de que a partir da região do Alto Oeste em direção ao Vale do Açu, o agricultor já poderia plantar porque as chuvas não iriam faltar. E realmente não têm faltado. Ontem [segunda] choveu em direção ao Vale, Mossoró, Apodi, chuvas pequenas mas que têm garantido a regularidade”, disse.

Segundo Gilmar Bristot, a ausência de precipitações nos últimos dias registrada no Estado é resultado da presença do Vórtice Ciclônico de Ar Superior. “Esse sistema que está inibindo a formação de chuvas no litoral, nesse final de semana, deverá enfraquecer e dar lugar a uma circulação normal que favoreça a formação de chuvas”, explica. 

O VCAS são um conjunto de nuvens que, observando  imagens de satélites, têm a forma aproximada de um círculo girando no sentido horário. No seu interior, há formação de nuvens causadoras de chuva e no centro há movimentos de ar de cima para baixo, que aumentam a pressão e inibem a formação de nuvens. 

Da Tribuna do Norte