Datafolha: maioria reprova conduta de Moro, mas vê como justa prisão de Lula

Pesquisa da Datafolha, publicada nesse sábado (6), mostra que 58% dos entrevistados avaliam como inadequada a conduta de Sérgio Moro ao conversar com procuradores que atuam na Lava Jato. Outros 58% das pessoas ouvidas consideram que as decisões do ex-juiz precisam ser revisadas.

Para 30%, o ganho no combate à corrupção compensa eventuais excessos cometidos. Apesar de reprovarem as atitudes do ex-juiz, e atual ministro da Justiça, maioria dos brasileiros não mudou a percepção quanto à condenação do ex-presidente Lula, mantendo assim o pensamento de pesquisa anterior realizada em 2018.
O conteúdo das conversas entre o então ministro e ícone da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, com procuradores responsáveis pelas investigações, veio à tona após revelação do site The Intercept Brasil. Os diálogos ocorreram pelo aplicativo Telegram, entre os anos de 2014 e 2019. 

Os procuradores e o ministro Sérgio Moro não refutaram de forma categórica essas conversas publicadas pelo site. Nesses diálogos, Moro e os procuradores trocam informações acerca da operação Lava Jato, discutindo casos específicos, como o esquecimento de provas. Do total de entrevistados, 58% acham que a conduta do então juiz foi inadequada, enquanto 31% aprovam. Não sabem avaliar 11% dos ouvidos.

As publicações do  The Intercept Brasil estão na pauta política do País, e ocasionaram grandes transtornos ao ministro da Justiça, derrubando sua aprovação pessoal que, de acordo  com o Datafolha, passou de 59% para 52% em relação à pesquisa mais recente, feita há três meses. Mas a população é favorável à permanência de Moro à frente do Ministério da Justiça. A maioria (54%), não vê motivo para a saída da equipe do presidente Jair Bolsonaro, enquanto 38% acham que sim.

A progressiva divulgação dos diálogos fez Sérgio Moro ser alvo de questionamentos quanto à sua eventual falta de imparcialidade. Para o ministro, “caso sejam autênticas, as mensagens não representam nada fora do normal das cortes brasileiras.” Moro esteve no Congresso, por duas vezes, motivou falas do presidente da República, Jair Bolsonaro, em defesa do seu mais proeminente ministro.

A repercussão, e o suspense quanto aos eventuais novos diálogos a serem divulgados pelo The Intercept Brasil, ocorre justamente quando Bolsonaro começou a falar publicamente sobre reeleição. Manifestantes estimulados pelo governo Bolsonaro foram às ruas, no domingo passado (dia 30) em pelo menos 70 cidades para dar apoio a Moro e à principal agenda do Planalto, a reforma da Previdência.

O Datafolha cruzou os dois temas em seu questionário. Sobre aqueles que aprovam a reforma previdenciária, 72% defendem a permanência de Moro no ministério, 46% consideram suas ações adequadas e 45% acham que o combate à corrupção é mais importante do que eventuais irregularidades.

A pesquisa mostra que a revelação das trocas de mensagens, via Telegram, não mudou a convicção do brasileiro acerca da punição a Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP). Aqueles que a acham injusta oscilaram na margem de erro, de 40% para 42%, retirando dois pontos percentuais do grupo que não tinha opinião —agora em 4%.

Quando o tema é a prisão de Lula, por exemplo, os grupos que mais a julgam justa são os de escolaridade superior (62%) e quem ganha acima de 10 salários mínimos (67%). Mais pobres (51%) e menos escolarizados (49%) acham ela injusta.

Com informações da Folha de SP