Corpo de juíza morta em Belém será enterrado hoje

O corpo da juíza Monica Andrade de Oliveira, de 47 anos, deixou Belém/PA na noite de ontem e deve ser seputado hoje (19) em Barra de Santana/PB, cidade natal da magistrada. Ainda na capital paraense, a sobrinha da magistrada, Monique Andrade, afirmou que não há dúvidas que a tia cometeu suicídio. O caso segue investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil, sob sigilo de justiça.

“As imagens revelam ela saindo do apartamento com malas, caminhando lentamente pelo estacionamento e depois se direciona ao banco do passageiro. Depois de longos minutos, ela comete suicídio. É claro, não há dúvidas”, afirmou, em entrevista à imprensa paraense.

A convicção ocorre diante das imagens de câmeras de segurança do prédio onde a magistrada morava. Os registros fazem parte do inquérito para elucidar a causa da morte da juíza, que atuava na comarca eleitoral de Martins, no Oeste do Rio Grande do Norte. O caso ocorreu na última terça-feira (17) e a Polícia Civil tomou conhecimento após o marido da magistrada, o também juiz João Augusto de Oliveira Júnior, ter a levado, já sem vida, para uma delegacia na capital paraense.

Ainda à imprensa, Monique afirmou que sua tia fazia uso de remédios para controlar um transtorno mental. “Ela fazia acompanhamento com psicólogo e fazia utilizaçao de medicação. (…) Ela tinha uma vida normal, mas fazia um acompanhamento psíquico. E só”, afirmou Monique, que reforçou que a tia vivia normalmente. “Era extremamente normal, calma… exercia sua profissão dignamente, seu papel de mãe, irmã. Ela devia estar sofrendo e não conseguia se abrir com ninguém”, afirmou.

Em contato com a TRIBUNA DO NORTE, Monique, que também é advogada, afirmou que o desejo da família é esperar que amigos da magistrada estejam presentes no velório e sepultamento. Por conta disso, não confirmação dos horários das solenidades.

O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) na madrugada de ontem e passou por um velório simbólico em uma capela da capital paraense. Após a cerimônia, deixou Belém/PA às 17h30 e chegou a Recife/PE às 20h, de onde seguiu em cortejo até Campina Grande/PB, onde será realizado o velório. O sepultamento ocorre na cidade Natal da magistrada, Barra de Santana/PB.

O juiz João Augusto de Oliveira Júnior falou pela primeira vez nesta quarta-feira (18). Após não se pronunciar nesta terça-feira, logo depois de prestar depoimento à Polícia Civil, o magistrado afirmou à TV Liberal, do Pará, que a esposa tinha um ferimento no peito feito por arma de fogo e que ela cometeu um suicídio “num momento de fraqueza”.

“Para minha surpresa, quando eu desci, ela simplesmente estava no carro e tinha disparado um tiro nela mesma. Segundo o juiz, há registros de câmeras de segurança que podem confirmar o seu relato e que essas imagens já estão de posse da polícia e a investigação segue em sigilo: “Essa situação, ela está confirmada pela pelas câmeras de vídeo do prédio, mas o como o inquérito está em sigilo, por enquanto não se pode ter essa visão geral sobre o procedimento”, diz.

Ele confirmou que levou a esposa, sem vida, para a Divisão de Homicídios e que prestou os esclarecimentos as autoridades. Monique, sobrinha da magistrada, afirmou que não vê com estranheza o fato do juiz, marido de sua tia, ter levado a levado morta para a delegacia. “Ele viu ali a possibilidade de socorrer”, afirma Monique. Ela diz, ainda, que o marido esteve em contato o tempo todo com o delegado, informando que estava se deslocando.

De acordo com a Polícia Civil do Pará, sem detalhes, diligências foram feitas e o caso foi remetido ao Poder Judiciário. O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) informou que ainda não vai se manifestar sobre o caso.

O caso

Mônica Andrade Figueiredo de Oliveira, de 47 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (17) pelo marido, que a levou, sem vida, para a sede da Divisão de Homicídios em Belém. Mônica era paraibana de Barra de Santana e atuava na comarca de Martins, na região Oeste do RN. À polícia, o juiz contou que a esposa cometeu suicídio.

De acordo com depoimento de João Antônio Figueiredo, os dois tiveram uma discussão na segunda-feira à noite. Após o desentendimento. O magistrado afirmou, em boletim de ocorrência, que a esposa teria arrumado as coisas e saído do apartamento afirmando retornar para o Rio Grande do Norte, onde trabalhava.

Na manhã da terça-feira, ao acordar, por volta das 6h40, o juiz não teria conseguido encontrar a chave do carro para ir ao trabalho. Por causa disso, ele teria usado uma chave reserva. Ao chegar ao veículo, no estacionamento do condomínio onde mora, deparou-se com a porta do carro aberta e percebeu que a esposa estava lá. A princípio, conforme o depoimento, o juiz havia imaginado que Mônica passou a noite no veículo, mas, logo em seguida, notou que ela havia cometido suicídio.

Segundo o boletim, “o relator [juiz  João Antônio Figueiredo] encontrou o corpo da esposa enrijecido, frio e com sangue saindo da boca”. João Augusto Figueiredo é juiz titular da 1ª Vara da Infância e Juventude de Belém, ligada ao Tribunal de Justiça do Pará (TJPA).

Da Tribuna do Norte