Cooperativa de anestesistas comunica fim de contrato com Unimed

Os usuários da operadora Unimed que precisarem de serviços de anestesia a partir da próxima terça-feira (9) poderão ter que contratar um profissional autônomo. Isso porque a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte (Coopanest-RN) comunicou, na manhã dessa sexta-feira (5), que vai romper o contrato  mantido com a operadora desde 1994. O motivo é o impasse sobre a aplicação do reajuste do Índice Nacional de Preços Amplo ao Consumidor (IPCA) que, segundo a Cooperativa, não foi aceito pela Unimed,  após diversas rodadas de negociação.

A juíza titular da 8ª Vara Civil de Natal, Arklenya Xeilha Pereira, negou pedido de Tutela Antecipada feito pela operadora Unimed Natal acerca da descontinuidade da prestação de serviço por parte da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte (Coopanest). A ação está em segredo de Justiça. A magistrada entendeu que a Coopanest informou a Unimed da necessidade real de reajuste desde o mês fevereiro e que ainda notificou a operadora da rescisão do contrato com 45 dias de antecedência.
A Coopanest flexibiliza as negociações para a prestação dos serviços de anestesiologia junto às operadoras, mas, com o fim do contrato, caberá ao usuário essa relação, que será individual entre o paciente e o médico. De acordo com o diretor presidente da Cooperativa, Vinícius Luz, o fim do contrato poderá trazer lentidão aos procedimentos, bem como não haverá nenhum controle dos valores cobrados pelo profissional.

O cliente poderá solicitar reembolso à Unimed sem que haja, segundo Vinícius Luz, recusa ao pedido por parte da operadora. Outra opção é que a própria Unimed indique um profissional, no entanto, o risco, conforme explicou, é que o médico não esteja disponível para atender às necessidades do paciente no momento em que houver a solicitação. “Imagine que o usuário precisa fazer uma cirurgia em um determinado momento, mas o anestesista só estará disponível dali a dois ou três meses?”, questiona.

Em todo caso, afirma Luz, a Unimed não poderá deixar o cliente desassistido. A empresa não deu detalhes sobre o que será feito, mas disse que o “Conselho de Administração da Unimed Natal e sua diretoria executiva, em consonância com médicos cooperados cirurgiões, adotou todas as medidas cabíveis para garantir a continuidade da assistência à saúde dos 204 mil clientes”.

A operadora salientou que “a mesa de negociações não está encerrada e, estão sendo tomadas todas as medidas para assegurar a prestação do serviço aos clientes”. Os serviços deverão ser oferecidos normalmente até a próxima segunda-feira (8) e a Coopanest afirmou estar disposta a manter as negociações. 

“É importante esclarecer: hoje nós temos um contrato com vigência indeterminada. Acontece que o prazo para negociar o reajuste [do IPCA] deveria ter ocorrido entre os meses de janeiro a março [deste ano] e isso não aconteceu”, pontuou Vinícius Luz, da Cooperativa.

Negociações

O diretor presidente da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte (Coopanest-RN), Vinícius Luz, disse que os diálogos em torno dos novos valores do  Índice Nacional de Preços Amplo ao Consumidor (OPCA), começaram no dia 25 de fevereiro, mas não houve avanços. Com o fim do prazo negocial, em 31 de março, novas reunião foram realizadas, mas sem desdobramentos.

“Conversamos com a Unimed nos dias 7 de abril e 7 de junho. Sem nenhuma solução, notificamos a operadora no dia 24 de junho. Após a notificação, foram pelo menos cinco reuniões, todas sem sucesso”, detalhou Vinícius Luz. No âmbito das negociações, de acordo com ele, a Coopanest sugeriu abrir mão do reajuste neste ano e fazer um escalonamento do valor em 2023.

“Nossa sugestão foi a de que a Unimed fizesse o repasse do reajuste em janeiro, abril e novembro do ano que vem, com a implantação de uma alíquota de 3% em cada mês. Os valores ficariam abaixo do índice registrado em julho, que foi de 11,89%. A Agência Nacional de Saúde prega a  livre negociação ou o repasse do IPCA acumulado dos últimos 12 meses, quando há acordo entre as parte e isso é o mais comum”,  explicou Luz.

O diretor-presidente da Coopanest justificou o pedido de revisão do índice levando em conta que a Cooperativa teve redução de até 60% no faturamento interno durante os últimos dois anos, em função da pandemia. As reservas técnicas, segundo Vinícius Luz, caíram em mais de 50%, por causa da necessidade de compras de EPI’s e equipamentos para auxiliar no combate à crise sanitária.

Além disso, segundo ele, a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) utilizada no contrato junto à Unimed é de 2010 e, portanto, está defasada. A Classificação é utilizada como referência para o cálculo de despesas médicas. 

A Unimed disse que foi notificada da “resilição contratual” da Coopanest no dia 24 de junho e afirmou tratar-se de “uma notificação extremamente inesperada, especialmente porque a operadora vinha mantendo aberto o canal de comunicação, de forma amigável, dentro do processo de negociação contratual iniciado em fevereiro de 2022″. 

Em seguida, a operadora  destacou que o reajuste pleiteado pela Coopanest está acima da capacidade de absorção. “Seu impacto afetaria a qualidade dos serviços prestados aos mais de 204 mil clientes, além de repercutir na sustentabilidade do sistema de saúde na região. Afetaria ainda, diretamente, os mais de 1.600 médicos cooperados, os mais de 1.500 colaboradores e os mais de 400 prestadores de serviços de saúde”, sublinhou a Unimed.

Com críticas à Cooperativa, a operadora informou que “sempre se posicionou pela boa negociação em busca de um reajuste capaz de manter a continuidade do contrato e a efetiva prestação dos serviços. A Coopanest é a única fornecedora de serviços médicos de anestesiologistas na região, o que estabelece uma relação de dependência do sistema de saúde”, pontuou.

“Essa posição, reconhecidamente monopolista, não pode prejudicar o consumidor com aumento deliberado de preços e a consequente restrição da oferta de serviços. Muito menos com interrupção da prestação dos serviços utilizada claramente como instrumento de pressão, o que contraria fortemente a excelente qualidade das relações comerciais entre as duas cooperativas”, completou a Unimed.

Clientes reclamam de plataforma digital 

Esta semana, vários clientes foram às redes sociais para reclamar da nova plataforma digital adotada para procedimentos e serviços da Unimed, a Tasy. “Foram 15 minutos  tentando agendar um pediatra para o meu filho e a ligação caiu. Isso porque não consigo agendar pelo aplicativo, pelo WhatsApp ou pelo site”, desabafou um internauta. 

“A mudança de sistema da Unimed Natal alterou as informações cadastrais no boleto. Agora estou com medo de efetuar o pagamento. Não sei se será computado corretamente”, reclamou outro usuário. A jornalista Carla França, também foi às redes para declarar sua insatisfação com o sistema.

À TRIBUNA DO NORTE, ela disse que, na última terça-feira (2), tentou fazer um raio-x, que já estava agendado, mas o atendente da clínica sequer conseguiu acessar o sistema da Unimed para solicitar e autorizar o exame. “Como precisava fazer o procedimento urgente, acabei pagando particular”, contou a jornalista. Mas as dores de cabeça não pararam por aí.

“No mesmo dia, minha mãe  estava com exame marcado e também não conseguiu autorizar no sistema. Como ela é paciente da clínica há tempo, as atendentes realizaram o exame na base da confiança. No dia seguinte, ela foi à Unimed solicitar a autorização e, felizmente, conseguiu”, comentou Carla.

Procurada, a Unimed informou que, como em qualquer mudança, é necessário um período de adaptação. Neste contexto, disse a empresa, todas as equipes técnicas e de atendimento estão atuando para minimizar o impacto da transição para garantir a realização das consultas e procedimentos.

Segundo a operadora, se o aplicativo estiver  fora do ar, o prestador (clínica, laboratório, hospital) pode pesquisar o número da carteira do cliente no sistema mediante apresentação de documentação de identificação e proceder o atendimento.

Exames (incluindo os laboratoriais) devem ser prioritariamente solicitados pelo atendente do consultório médico. “Há também a possibilidade de solicitação no local de realização do exame. O cliente continua podendo acessar o site ou app para enviar a solicitação de autorização”, detalhou a Unimed.

Para a solicitação e autorização de procedimentos cirúrgicos, os procedimentos devem ser prioritariamente solicitados pelo atendente do consultório médico. Há também a possibilidade de solicitação no local de realização da cirurgia, segundo a operadora. O cliente continua podendo acessar o site ou aplicativo para enviar a solicitação de autorização.

Sobre a emissão de faturas, a Unimed orientou que os atendimentos para retirar a 2ª via podem ser feitos pelo telefone (84) 3220 6200.

Da Tribuna do Norte