Cidade Administrativa, sede do governo de MG, passará por obra estrutural 14 anos após inauguração. Quem paga a conta?

Cidade Administrativa, sede do governo de MG
Cidade Administrativa, sede do governo de MG — Foto: Agência Minas/Divulgação

A Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais, terá que passar por obras para corrigir falhas graves que comprometem o funcionamento dos elevadores. A empresa Vistoriar Engenharia, contratada pelo Executivo estadual, apontou que há riscos estruturais e possibilidade de colapso nos elevadores de um dos prédios.

O laudo diz que “os pilares metálicos dos contrapesos dos elevadores não foram chumbados conforme o projeto, resultando em um espaço vazio entre a viga de concreto armado e as chapas de fixação dos pilares” e que as furações nas vigas de concreto armado e as chapas de fixação dos pilares metálicos não coincidem o que provoca tensões nas peças. Além disso, será imprescindível o reforço de todos os pilares metálicos do prédio Minas e do prédio Gerais. O problema teria sido causado, segundo o documento, por vícios construtivos na fixação dos pilares de sustentação dos elevadores.

Os equipamentos estão desativadas desde novembro de 2023, quando foram percebidas as falhas. Na época, um servidor de 66 anos morreu depois de passar mal ao subir alguns andares de escada. O governo passou a disponibilizar os elevadores privativos também para os servidores públicos.

O que chama a atenção é que os prédios, que reúnem todas as secretarias do estado, são novos, inaugurados em 2010, com estruturas modernas e 58 elevadores inteligentes. A Cidade Administrativa tem cerca de 15 mil servidores e recebe a visita de mais mil pessoas diariamente, número maior que a população de várias cidades mineiras.

Nove empresas participaram da construção da Cidade Administrativa, que ocorreu durante gestão do então governador Aécio Neves. O que se pergunta é como essas falhas detectadas na perícia passaram pelas empresas de engenharia responsáveis pela obra, pela empresa de instalação dos elevadores e pelos responsáveis pela manutenção dos equipamentos?

O engenheiro Ronaldo Bandeira, conselheiro do Crea-MG (Conselho Regional de Engenharia, Agronomia de Minas Gerais) e consultor em elevadores, diz que uma lei municipal exige vistoria e manutenção frequente dos elevadores pelo responsável técnico. “Também existe o que chamamos de RIA. que é um Relatório de Inspeção Anual obrigatório em que um profissional engenheiro habilitado verifica as não conformidades anualmente, além das manutenções preventivas obrigatórias mensais. Qualquer sinal de anormalidade deve ser realmente identificado e sanando”, detalha o engenheiro. Ou seja, durante o planejamento, execução e funcionamento dos equipamentos há necessidade de acompanhamento e avaliações.

Segundo a Secretaria e Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, a contratação da empresa de engenharia ocorrerá ainda esta semana. O serviço será realizado sem licitação por ser considerada de emergência.

A secretaria não informou o custo da obra. O governo foi questionado se cobraria ressarcimento das empresas responsáveis pela construção e instalação dos elevadores e, por enquanto, não respondeu.

Fonte: O Globo

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