Centenário de Jaime Brito: o homem que reergueu a Banda Euterpe Jardinense

Jaime de Medeiros Brito nasceu em Jardim do Seridó no dia 1° de Março de 1922, filho do casal conhecido da cidade, o Sr. José de Medeiros Brito (Popularmente conhecido por Zuza Moita) e a Sra. Francisca de Medeiros Brito (popularmente conhecida por Chiquinha Brito). Sempre teve incentivo para estudar, e por sua vez, começou seus estudos no Grupo Escolar Antônio de Azevedo tendo terminado no ano de 1937.

Seu gosto musical também foi incentivado desde cedo (SOBRINHO, 2005), pois seu pai havia sido músico da Banda Euterpe de Jardim do Seridó quando moço, e mesmo com a morte prematura do mesmo e com a demanda tida nas ajudas pedidas por sua mãe na condução do Hotel que os mesmos tinham e eram a fonte de renda maior, este aprendeu suas primeiras notas musicais muito cedo, tendo tido como maior incentivador o então Maestro da Banda Euterpe, o Sr. Minervino de Oliveira e Silva (este foi o 16° Maestro da Banda). Em 1941 o jovem músico começou ainda mais a se dedicar as notas musicais sendo este período o divisor de águas na vida do jovem que já dava seus primeiros passos rumo a maestria. Neste mesmo período fruto de seu amor jovem por uma moça chamada Anitta Costa, Jaime Brito (como ficou conhecido) compôs sua primeira valsa que recebe o nome daquela que ele desposaria 3 anos depois, exatamente no dia 13 de Maio de 1944.

Porém antes de casar-se, no ano de 1943, com a saída do Maestro Sebastião Gonçalves de Lima, Jaime Brito assume por cerca de um ano a batuta da Banda Euterpe, permanecendo até 1944.
Foi convocado pelo Exército Nacional para servir ainda no período da Grande II Guerra Mundial, e sendo bom soldado se destacou ainda mais na música, passando pelas graduações de 3° Sargento, 2° Sargento e em fim, 1° Sargento músico em 1948.

O tempo foi passando e entre idas e vindas do Rio de Janeiro para Natal, Jaime Brito fixa morada na capital potiguar e nesse período é convidado para ficar à frente da Banda Euterpe Jardinense novamente, esse período segundo (AZEVEDO, 1988) foi em 1971, porém (SOBRINHO, 2005) cita a data de 1973 como a volta de Jaime Brito no comando da Banda Euterpe. Independente das datas, o fato é que o trabalho organizado, bem feito e sério de Jaime Brito para com a Banda, termina por colocar esta, em patamares mais altos no reconhecimento na região do Seridó, no Estado e (pasmem) no Brasil (a Banda Euterpe vinha passando por um período de ostracismo, sendo esquecida, mesmo que na ativa).

Em um determinado período da década de 70 quando Jaime Brito regia a Banda Euterpe, foi ele colocado para trabalhar no almoxarifado, fazendo com que deixasse a batuta, o que lhe deixou em profunda tristeza, fazendo com que o rosto imponente do soldado desse lugar a lágrimas de amargura. As lágrimas desaguaram no coração dos poderosos e o mesmo retorna a Banda Euterpe.
Segundo o antigo músico Carlos de Nego, outro antigo músico Júlio Cassiano dizia que a Banda antes de chegada de Jaime Brito estava “parada”, porém “quando Jaime chegasse ia organizar tudo”, e assim foi feito.

Durante sua regência, a sede da Banda Euterpe ganhou 40 cadeiras, além de máquina de escrever e mimiógrafo para reprodução das partituras. Também comprou geladeira, bilhar (para diversão dos músicos), jogos de salão, armário, além de organizar todo o Estatuto de Regras da Banda que havia sido feito em 1940 e mais de 30 anos depois continuava o mesmo (sinal de sua preocupação com a seriedade da banda).

Ainda durante seu tempo de regência a Banda euterpe por meio dele ganhou prestígio e mais nome em toda a região. Inúmeros exemplos podem ser citados como a participação em 1975 do I Encontro de Bandas de Música, realizado em Acari com patrocínio do Mobral (AZEVEDO, 1988), também a participação no I Campeonato Nacional de Bandas de Músicas que aconteceu no Rio de Janeiro em 1977, sendo essa premiada com um trompete dourado. Em 1978 participou representando novamente o Estado do RN, do II Campeonato Nacional de Bandas de Música na cidade de Recife, recebendo um rico troféu pela nota de grau 7,5.

Jaime Brito era um homem rígido, algo que aprendera com sua vida militar, não chamava nenhum músico por apelido, e exigia respeito e veneração a farda da Banda Euterpe, sendo capaz até mesmo de dar voz de prisão a um músico caso esse não estivesse honrando sua farda e saindo fora da postura que lhe era missão estar, também não aceitava cabelos longos ou barba nos músicos, muito menos aceitava que os músicos tocassem tendo bebido.

Jaime Brito foi o 21° Maestro da Banda Euterpe Jardinense, e por sua vez honrando sua batuta construiu inúmeras composições que ainda hoje são encontradas nos acervos das bandas de música da região. Entre elas estão (AZEVEDO, 1988):

Marchas graves: Cônego Ambrósio, Chiquinha Brito, Padre Ernesto e Fefa Caldas
Valsas: Anita Costa, Adeus até outro dia e Renaissa
Dobrados: Saudades de Zuza, Cidade do Jardim, Manoel Brito e Renan Roberto
Frevos: Aristóteles no frevo, Renan no frevo, Babado e Pilão, e Esplanada Clube.

Jaime de Medeiros Brito faleceu em 03 de Janeiro de 2006 e deixou na história da música seridoense uma marca profunda de amor as notas musicais e a seriedade do fazer musical.

Texto: Prof. Gabriel Santos (Historiador)
Fontes:
Entrevista com Carlos Fernandes, conhecido como Carlo de Nego.
Blog Povo do Seridó: Jayme de Medeiros Brito publicado em 2016.
AZEVEDO, José Nilton de. Um passo a mais na História de Jardim do Seridó. Gráfica do Senado Federal, Brasília, 1988.
Fotos: José Modesto de Azevedo, e autores desconhecidos.