Biden afirma que China tem ‘problemas reais’ horas antes de reunião com Xi

Presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Joe Biden, se encontram em Bali, Indonésia, durante cúpula do G20
Presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Joe Biden, se encontram em Bali, Indonésia, durante cúpula do G20 — Foto: Saul Loeb/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou na terça-feira que a China tem “problemas reais”, poucas horas antes de uma reunião com o homólogo chinês Xi Jinping em São Francisco, que pretende estabilizar as relações entre os países. Os dois chefes de Estado desembarcaram na terça-feira na cidade da Costa Oeste americana, onde terão um encontro bilateral muito aguardado, em um momento de grande atrito entre os dois países.

— O presidente Xi é outro exemplo de como o restabelecimento da liderança americana no mundo está se consolidando. Eles têm problemas reais — disse Biden durante um evento de arrecadação de fundos, horas antes da reunião com o líder chinês.

Consultado sobre suas expectativas para o esperado encontro, o primeiro em um ano, o presidente americano disse também que queria “voltar a um ritmo normal de correspondência, onde sejamos capazes de atender o telefone e conversar se há uma crise; garantir que nossas [Forças Armadas] ainda mantenham contato entre si”.

Mais cedo, Biden disse que os Estados Unidos não buscam se distanciar da China, mas ter uma relação melhorada.

— Não tentamos nos afastar da China. O que estamos tentando é mudar a relação para melhor — disse aos jornalistas da Casa Branca antes de partir para São Francisco.

John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou aos meios de comunicação que ambos os presidentes “se conhecem muito bem há um bom tempo e podem ser francos e diretos um com outro”. Biden “quer garantir que gerenciemos esta importantíssima relação bilateral da maneira mais responsável possível”, acrescentou.

Biden vai liderar a cúpula anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), bloco que movimenta 60% da economia mundial. Ele foi recebido pelo governador da Califórnia, o também democrata Gavin Newsom. O governador também deu boas-vindas a Xi, que chegou a bordo do avião presidencial poucas horas depois de Biden. O presidente chinês também foi recebido pela secretária do Tesouro americano, Janet Yellen.

Estados Unidos e China mantêm uma competição feroz por domínio econômico e tecnológico, assim como influência diplomática. As duas superpotências atravessaram uma fase tensa no início do ano, por causa do sobrevoo de um balão chinês sobre território americano.

Com problemas de fundo para resolver, sobretudo no que se refere a Taiwan, território autogovernado que a China considera uma província rebelde e não descarta usar a força para dominá-lo, o tom suavizou um pouco desde o verão (no Hemisfério Norte) e foram retomados os contatos diplomáticos, sobretudo para preparar o encontro desta quinta-feira.

Outros temas na agenda são a guerra da Ucrânia e o conflito entre Israel e Hamas. Washington apoia firmemente a Ucrânia e Israel, tanto diplomática como militarmente. A China, por sua vez, está aliada tanto com a Rússia como com o Irã, que apoia o Hamas.

O encontro com Xi é o prato principal da cúpula da Apec, mas Biden também se reunirá com outros mandatários do bloco, entre eles o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. Os dois devem se reunir na sexta-feira com uma agenda marcada pela migração e a crise do fentanil, opioide sintético 50 vezes mais potente que a heroína.

— Teremos que falar sobre a cadeia do fentanil, os precursores que vêm principalmente da Ásia, como controlar melhor o que sai da Ásia e o que chega ao México — disse a chanceler mexicana Alicia Bárcena.

O governo de López Obrador negou que a substância seja produzida no México e sustenta que tudo chega diretamente da China, o que é questionado por Pequim.

O presidente mexicano também deve manter um encontro com Xi na quinta-feira, a primeira reunião entre ambos os mandatários, e estará marcada pela agenda econômica, informou Bárcena.

Fonte: O Globo

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